Vai chover em agosto?
Vai chover em agosto? | Fotografia: Unsplash
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Triste mês de agosto? Portugueses esperam chuva até setembro?

Estamos em pleno mês de agosto, a aproveitar as férias ou ainda à espera que elas cheguem. Mas... falar em chuva. Só nos faltava mais esta.

Agosto costuma ser sinónimo de calor, praia e mais calor em Portugal. E, por estes dias, o cenário continua a ser precisamente esse: o tempo mantém-se maioritariamente estável e soalheiro, com o calor a apertar sobretudo no interior, onde as temperaturas podem aproximar-se dos 40 ºC... Pelo menos, até esta quinta-feira, 13 de agosto.

A partir de sexta-feira, 14, o cenário vai mudar em Portugal continental. O céu ficará nublado em algumas regiões e no sábado, 15, há mesmo previsão de chuva para a zona Norte do país. Mas não é só por cá que o mau tempo está à espreita.

O Centro Nacional de Furacões dos Estados Unidos (NHC) está a acompanhar uma perturbação no Atlântico tropical que poderá atingir o estatuto de depressão tropical nos próximos dias, numa altura em que a atividade tropical do Atlântico começa, como é habitual em agosto, a ganhar importância.

Uma depressão tropical é o primeiro estádio formal de organização de um ciclone tropical. Se os ventos aumentarem e o sistema continuar a estruturar-se, poderá posteriormente evoluir para uma tempestade tropical e receber um nome.

As previsões atuais apontam para um deslocamento inicial para oeste, o que coloca no radar regiões das Caraíbas. Alguns cenários sugerem, depois, uma possível inflexão para norte ou nordeste. É precisamente aqui que reside uma das maiores incertezas: pequenas alterações na posição e intensidade do sistema podem mudar significativamente a trajetória prevista.

O NHC continua, por isso, a acompanhar a situação de perto.

E Portugal? É provável que chegue?

Neste momento, não.

Não existe uma previsão credível que indique que esta possível depressão tropical vá atravessar o Atlântico e atingir Portugal continental como sistema tropical. Aliás, entre o Atlântico tropical e a Península Ibérica existe uma enorme distância e, mesmo que o sistema consiga sobreviver durante vários dias sobre o oceano, a sua evolução dependerá de uma combinação complexa de fatores atmosféricos.

Um ciclone tropical que se desloque para latitudes mais elevadas tende, além disso, a encontrar condições diferentes das existentes nos trópicos. Pode perder as suas características tropicais, enfraquecer ou transformar-se num sistema extratropical.

Isto não significa, contudo, que uma perturbação no Atlântico seja completamente irrelevante para o estado do tempo em Portugal. Os restos de sistemas tropicais ou as alterações na circulação atmosférica podem, em determinadas circunstâncias, contribuir para mudanças do tempo na Europa Ocidental. Mas isso é muito diferente de dizer que um furacão ou uma depressão tropical está a caminho de Portugal.

Para já, portanto, não há motivo para associar esta depressão tropical ao tempo que se fará sentir no continente nos próximos dias.

O que está a acontecer em Portugal é outra história

Segundo o site Meteored Portugal, o tempo em Portugal deverá mudar mais acentuadamente a partir de sábado, 15 de agosto, mas por uma razão que nada tem que ver, para já, com a depressão tropical.

Os modelos meteorológicos analisados pela Meteored apontam para a possível aproximação de uma pequena perturbação em altitude à Península Ibérica. A mudança na configuração do anticiclone e uma ondulação mais pronunciada do jato polar poderão abrir espaço para maior instabilidade.

E aqui surge uma curiosidade: em pleno agosto, poderá haver trovoadas em Portugal, além de aguaceiros dispersos, sobretudo nas regiões do interior Norte e Centro.

Vila Real, Bragança, Viseu e Guarda surgem entre as zonas com maior probabilidade de atividade convectiva. Alguns dos aguaceiros poderão ser localmente fortes e, em situações pontuais, acompanhados de granizo.

Mas, não, o mau tempo não vai durar até setembro, melhorias já estão no radar das previsões do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

E o El Niño, o que tem a ver com isto?

O fenómeno climático El Niño também entra nesta história, embora seja importante não confundir os diferentes sistemas meteorológicos.

O El Niño está efetivamente presente e deverá intensificar-se durante 2026, segundo a NOAA (Administração Oceânica e Atmosférica Nacional). Os dados mais recentes disponíveis indicavam temperaturas da superfície do mar significativamente acima da média no Pacífico equatorial, com o fenómeno a poder manter-se até ao início de 2027.

Ainda assim, os raios solares vão continuar ativos, por isso, deves ter sempre contigo uma das sugestões que se seguem, quer faça sol ou chuva na praia ou na rua.

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