Em Portugal, há aldeias que parecem segredos bem guardados de tão pequenas e discretas. São lugares onde o tempo corre de outra forma e onde cada festa é mais do que um evento: é um motivo para celebrar os poucos habitantes e receber novas gentes. Uma dessas aldeias é Constantim, em Miranda do Douro, na fronteira com Espanha.
Situada em pleno Parque Natural do Douro Internacional, Constantim já foi freguesia independente e hoje integra a União de Freguesias de Constantim e Cicouro. A sua localização privilegiada, a quase 900 metros de altitude, oferece paisagens amplas sobre Portugal e Espanha e ajuda a explicar por que razão esta zona é habitada desde tempos muito antigos (ainda existem vestígios de um castro pré-romano, isto é, um povoado fortificado da Idade do Ferro para facilitar a defesa, hoje associado ao Santuário de Nossa Senhora da Luz).
A aldeia conserva um património rural vasto, desde antigos pombais e chafarizes a capelas e no seu ponto mais alto, o Miradouro de Nossa Senhora da Luz, permite observar as terras planas mirandesas e as terras de Leão, do outro lado da fronteira.
Uma romaria que atravessa países
O grande momento do ano em Constantim é a Romaria Internacional de Nossa Senhora da Luz, que se realiza tradicionalmente no último fim de semana de abril. Em 2026, por exemplo, as celebrações decorrem nos dias 25 e 26 de abril, reunindo milhares de visitantes portugueses e espanhóis.
A festa começa no sábado à tarde, com uma procissão entre a igreja matriz de Constantim e a ermida de Nossa Senhora da Luz, situada a cerca de dois quilómetros da aldeia, em plena linha de fronteira. A peregrinação é tão simbólica que os vizinhos espanhóis ─ sobretudo da localidade de Moveros ─ organizam deslocações próprias para acompanhar o percurso.
No domingo, o ponto alto é a missa campal junto à capela, seguida de uma procissão em torno do santuário, num ritual que simboliza a união entre os dois países.
Contudo, a Romaria de Nossa Senhora da Luz não vive só de momentos religiosos. Paralelamente, decorre uma feira internacional, onde comerciantes portugueses e espanhóis vendem produtos tradicionais, artesanato, alimentos regionais e iguarias serranas. É um espaço de negócios, mas também de reencontros, petiscos e conversa animada.
O programa inclui ainda concertos, arruadas, desgarradas, arraiais populares, fogo de artifício e o tradicional bailarico noturno, transformando Constantim num palco vibrante onde o sagrado e o profano caminham lado a lado uma vez por ano.
