Santo Stefano di Sessanio
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8 mil euros por ano para viver nesta pequena aldeia? Onde assinamos?

Se procuras uma vida mais pacata e, quem sabe, começar um novo negócio, esta proposta pode ser para ti. Conhece a aldeia que está à procura de moradores.

Queres viver na aldeia de Santo Stefano di Sessanio? Estão a oferecer 8 mil euros ao ano

Será esta a aldeia mais isolada de Portugal?

Imagina trocar o trânsito, o ruído constante e o custo de vida sufocante de uma grande cidade por ruas de pedra, montanhas, silêncio e uma comunidade onde toda a gente se conhece pelo nome. Parece cenário de filme, mas é uma proposta bem real (e vem acompanhada de incentivos financeiros bastante tentadores).

No coração de Itália, uma pequena aldeia medieval decidiu enfrentar o despovoamento de forma criativa: está a pagar para atrair novos moradores. O objetivo é simples: evitar que a localidade desapareça lentamente do mapa.

Estamos a falar de Santo Stefano di Sessanio, uma aldeia histórica situada na região de Abruzzo, a poucos quilómetros de Roma. Situada entre os picos dos Apeninos, dentro do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga, esta vila medieval tem apenas 115 habitantes, e metade deles são reformados.

Perante uma população envelhecida e cada vez menos jovens a viver na aldeia, a autarquia lançou um programa de repovoamento que já está a chamar a atenção em toda a Europa. A proposta inclui até 44 mil euros em apoios, rendas simbólicas e incentivos para quem quiser abrir um negócio local.

Por que razão estão a pagar para atrair moradores?

Na aldeia italiana de Santo Stefano di Sessanio, vivem permanentemente cerca de 70 pessoas ao longo do ano, e existem pouco mais de 20 crianças com menos de 13 anos. A situação tornou-se tão delicada que a continuidade de serviços básicos começou a depender directamente da chegada de novos residentes.

Foi por isso que o presidente da câmara, Fabio Santavicca, decidiu avançar com uma solução mais ambiciosa do que as famosas casas de “1 euro” que ficaram populares noutras zonas de Itália. Em vez de vender apenas imóveis baratos, a ideia é criar condições reais para que as pessoas possam construir ali uma vida sustentável.

O pacote de incentivos é um dos mais completos entre os atuais programas europeus de repovoamento rural. Quem for seleccionado poderá receber:

– Até 8 mil euros por ano durante três anos consecutivos apenas por residir na aldeia;
– Um subsídio até 20 mil euros para abrir um negócio ligado ao turismo, gastronomia ou cultura local;
– Habitação com renda simbólica, muito abaixo dos valores praticados nas cidades italianas;
– Apoio burocrático para tratar da mudança, especialmente no caso de estrangeiros;
– Acesso a uma zona turística muito procurada, graças à proximidade do Parque Nacional Gran Sasso e Monti della Laga.

Quem se pode candidatar?

Apesar do entusiasmo que a iniciativa gerou, o programa não se destina a turistas ocasionais ou a quem procura apenas uma experiência temporária. A ideia é atrair residentes permanentes. Por isso, entre os principais critérios de selecção estão:

– Ter menos de 40 anos (factor prioritário);
– Comprometer-se a viver na aldeia durante pelo menos cinco anos;
– Ser cidadão da União Europeia ou ter possibilidade legal de residir em Itália;
– Apresentar um projecto de negócio viável;
– Demonstrar vontade de integração na vida comunitária.

Como é viver em Santo Stefano di Sessanio no dia a dia?

Viver em Santo Stefano di Sessanio significa abraçar um ritmo completamente diferente. A aldeia está situada a cerca de 1.300 metros de altitude, o que traz invernos frios e nevados, mas também verões amenos e paisagens montanhosas impressionantes.

As ruas medievais em pedra, as casas históricas e a vista sobre os Apeninos transformaram a localidade num dos destinos mais bem preservados de Itália em termos de património histórico.

Claro que existem desafios. Os supermercados maiores e os hospitais ficam a dezenas de quilómetros de distância, e ter carro é praticamente indispensável. Mas quem escolhe ficar fala frequentemente da tranquilidade, da ausência de trânsito, do contacto com a natureza e das relações de vizinhança como compensações difíceis de encontrar nas grandes cidades.

E convenhamos: receber milhares de euros por ano para viver numa aldeia medieval rodeada de montanhas parece exactamente o tipo de proposta que faz muita gente perguntar… “onde é que assinamos?”

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