Portugal é um país cheio de histórias guardadas no tempo e, por vezes, até na água. Desde túneis misteriosos até grutas milenares ligadas a mitos religiosos, há relíquias por descobrir um pouco por todo o território.
Muitas destas maravilhas não figuram em roteiros turísticos, nem podem porque nem sempre estão visíveis. É o caso de uma aldeia enigmática que de vez em quando regressa do fundo de um lago. Sim, leste bem, uma aldeia submersa que volta à superfície.
No coração do Parque Nacional da Peneda-Gerês, rodeada por montanhas e silêncio, jaz a aldeia de Vilarinho da Furna, ou o que resta dela. Esta antiga povoação comunitária foi submersa aquando da criação de uma barragem hidroeléctrica em 1971, ficando esquecida por quem lá viveu e passando a desconhecida por quem passa. É, por isso, conhecida como "aldeia fantasma" por só aparecer quando lhe convém.
Durante a maior parte do ano, encontra-se escondida sob as águas do rio Homem, mas quando o calor aperta, ou quando a seca aperta ainda mais, as águas recuam e a aldeia regressa. É então que surgem as paredes de pedra, os caminhos empedrados e as ruínas de casas há muito abandonadas. Parece um cenário de filme, ou de uma lenda, mas é uma parte da história de Portugal que de vez em quando volta à tona.
Para quem quiser conhecer mais sobre esta comunidade, nada como visitar o Museu Etnográfico de Vilarinho da Furna, localizado em São João do Campo, no qual estão guardadas memórias, ferramentas, retratos e histórias que não se afundaram com a aldeia. É um tributo vivo à cultura que ali floresceu e à perda que se viveu. Porque, mesmo submersa, há memórias que nunca se apagam.
Mostramos na galeria de imagens como fica esta aldeia quando está à superfície, assim como outras aldeias históricas em Portugal.
