Val de Poldros
Val de Poldros
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Uma aldeia esquecida no Alto Minho onde há um só habitante e muitos lá vão pelo restaurante

Escondida nas montanhas, esta aldeia, ou "branda", é uma rara relíquia do mundo rural português. Nela vive apenas uma pessoa e há um só restaurante que leva muitos a fazer quilómetros.

Ao longo das últimas décadas, Portugal tem assistido a um fenómeno silencioso: o abandono de aldeias no interior. A procura de melhores condições de vida nas cidades e no estrangeiro e o envelhecimento da população deixaram para trás dezenas de localidades, ainda que algumas despertem o interesse das camadas mais jovens, como o digital influencer português João Amorim, que comprou parte da aldeia de Varziela, no Parque Nacional Peneda Gerês.

Mas há outros lugares onde o tempo permanece parado. É o caso da pequena e quase mítica aldeia de Val de Poldros. 

Escondida nas montanhas do Alto Minho, às portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês, chegar até ela não é tarefa fácil, exige percorrer quilómetros numa estrada solitária, até surgir, a cerca de 1200 metros de altitude, um conjunto de casas de pedra enquadradas por uma paisagem imponente sobre a serra da Peneda.

Apesar de muitas vezes ser descrita como aldeia, Val de Poldros é, na verdade, uma “branda”. Para compreender este termo, é essencial recuar no tempo: as brandas eram pequenos núcleos habitacionais utilizados apenas durante os meses mais quentes, onde os pastores levavam o gado para as zonas altas da serra, aproveitando os pastos verdes da primavera e do verão. Quando o frio chegava, regressavam às chamadas “inverneiras”, situadas em zonas mais baixas e protegidas, onde passavam o inverno.

Val de Poldros nunca foi, por isso, uma aldeia de ocupação permanente e talvez seja essa a razão do seu silêncio quase absoluto.

Hoje, esse silêncio é quebrado por uma única presença, Fernando Gonçalves, o único habitante permanente da localidade. Antigo emigrante em Andorra, regressou à terra natal em 2004 e decidiu instalar-se ali... sozinho.

Para combater o isolamento, abriu um pequeno restaurante na aldeia, com o nome da mesma, que não tem menu fixo. Quem chega come o que houver, preparado com produtos locais e conforme a época. Este detalhe tornou-se parte do encanto e o motivo de algumas visitas de longas distâncias. 

E há ainda outro motivo que atrai turistas: o facto de a aldeia ter sido apelidada de “aldeia dos hobbits”, numa referência ao universo de fantasia de O Senhor dos Anéis devido às tradicionais casas de pedra, conhecidas como “cardenhas”.

Num país onde muitas aldeias desapareceram do mapa humano, esta pequena branda minhota prova que, às vezes, basta uma pessoa para manter viva uma terra inteira. Terra essa que mostramos na galeria de imagens. 

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