A pintura em porcelana é uma das mais exigentes formas de expressão das artes decorativas. Esta técnica distingue-se pela precisão quase cirúrgica do gesto e pela transformação que ocorre no forno, sendo aí, que, sob altas temperaturas, as cores e traços ganham permanência e profundidade. Ao contrário de outras formas de pintura, o erro dificilmente se corrige, o que torna cada peça única e cada artista um verdadeiro guardião de saberes antigos.
É o caso de Maria Albertina Jorge, autora da nova exposição de pintura em porcelana que chegou Biblioteca José Régio na Amadora a 13 de abril e fica até 27 de abril. Esta mostra reúne um conjunto de obras que evidenciam o rigor técnico e a sensibilidade estética inerentes a esta disciplina, sendo que cada peça revela não só domínio dos materiais, mas também uma linguagem artística própria.
Mas quem é, afinal, Maria Albertina Jorge?
Natural de Arganil, as raízes de Maria Albertina Jorge acrescentam significado às suas obras, que resultam de um longo percurso.
Há muito que a artista está ligada à prática e ao ensino das artes decorativas, tendo vindo a participar em iniciativas promovidas pela Câmara Municipal da Amadora, incluindo na dinamização de ateliês dedicados à pintura de porcelana. E isto revela muito mais sobre Maria Albertina Jorge do que podemos pensar.
É que, mais do que criar, Maria Albertina Jorge quer ajudar a preservar e a transmitir um saber artístico que corre o risco de se perder num mundo cada vez mais dominado pela produção industrial.
