Esta ambulância não leva doentes ao hospital, cumpre os seus últimos desejos
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Margarida Ribeiro
- 1 set, 19:27
E se te disséssemos que existe uma ambulância que concretiza desejos de pessoas com doenças em fase terminal?
Existem várias organizações sem fins lucrativos que fazem da sua missão cumprir os últimos desejos de pessoas com doenças em fases terminais. É provável que a mais conhecida seja a Fundação Make-a-Wish, mas existe outra que merece atenção: a Ambulância dos Desejos.
Trata-se de um projeto que nasceu nos Países Baixos em 2007 pelas mãos de um enfermeiro e motorista de ambulâncias, Kees Veldboer, com o objetivo de cumprir sonhos, não aqueles objetivos ambiciosos, como conhecer uma celebridade, mas sim os mais simples, como voltar a ver o mar ou visitar um lugar especial.
Hoje em dia, a organização existe um pouco por todo o mundo, mais especificamente em mais de 20 países, incluindo em Espanha, mas também na América Latina, como El Salvador e Equador, e este ano chegou à província de Santa Fé, na Argentina.
Como levou o projeto para o outro lado do oceano?
É uma fundação composta por voluntários. Foi, aliás, com a ajuda de um — Juan Manuel Gálvez — que chegou à terra natal de Lionel Messi. Juan ficou a conhecer o projeto quando esteve em Espanha, em 2018, a fazer um curso de emergência e rapidamente decidiu que o queria colocar em prática no seu país.
"Onde houver problemas, quero estar lá, estendendo a mão", contou numa entrevista com a CNN Internacional.
Juan tem dedicado a sua vida a ajudar os outros. Trabalhou durante 20 anos no sistema de ambulâncias da província de Santa Fé, no noroeste da Argentina, onde foi bombeiro voluntário.
Está a planear a abertura da fundação na sua cidade há dois anos. Conseguiu fazê-lo com a ajuda da Universidade Nacional de Rosário), onde um grupo de estudantes se ofereceu para gerir a parte mais burocrática do projeto. Também receberam a doação mais importante: uma ambulância fora de serviço que conseguiram reabilitar para concretizar os sonhos de muitos.
Hoje, a equipa está composto por 23 pessoas de diferentes profissões que trabalham de uma forma voluntária. Há um pouco de tudo desde profissionais de saúde, motoristas, bombeiros, médicos, enfermeiros a técnicos e psicólogos.
Já receberam pelo menos 100 pedidos dos quais 20 eram viáveis e no início desde mês conseguiram realizar 10.
Gálvez explica que "a ideia é aproximá-los de lugares simples" e ajudá-los a fazer coisas como "assistir a um jogo de futebol, ir a um parque com um neto, esse desejo simples que parece fácil para qualquer um de nós porque estamos bem”, explica o profissional de saúde.
Realça ainda que o seu objetivo passa sempre por garantir que o paciente viaja "confortavelmente, não sente frio e que, ao mudar sua posição, a dor não piore".
Que histórias tem para contar?
Há várias a destacar, mas uma das melhores pode ser a de um menino hospitalizado com uma doença terminal em Rosário, na Argentina, cujo maior desejo era visitar o Museu do Desporto de Santa Fé, onde está uma réplica da taça do Mundial que foi erguida pelo seu ídolo, Lionel Messi, em 2022.
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