Este homem trabalha num dos lugares mais tóxico da Terra — e por escolha própria
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Inês Teixeira
- 18 mai, 14:31
Enquanto a maioria das pessoas reclama das reuniões intermináveis ou do stress no escritório, Anatoly Doroshenko entra regularmente num dos locais mais radioativos do planeta.
De certeza que, numa daquelas reflexões aleatórias sobre o mundo, já te perguntaste qual será o trabalho mais perigoso do planeta. Nós também. E foi isso que nos levou até Anatoly Doroshenko, o cientista ucraniano que entra regularmente nas zonas mais contaminadas do reator número 4 de Chernobyl, o mesmo que explodiu em 1986.
Segundo a revista New Scientist, Doroshenko pode ter “o trabalho mais perigoso do mundo”. A sua missão é monitorizar o interior da estrutura destruída, um local escuro, instável e altamente radioativo. Pelo menos uma vez por mês, percorre corredores subterrâneos contaminados para recolher amostras, verificar equipamentos e medir os níveis de radiação.
As ruínas do reator continuam escondidas sob estruturas de contenção de betão e aço, num ambiente quase totalmente às escuras e extremamente perigoso. Em algumas missões, Anatoly chega a aproximar-se a cerca de oito metros do núcleo do reator destruído.
Em algumas zonas, a radiação é tão intensa que só pode permanecer lá dentro durante poucos minutos. Noutras, nem sequer pode parar. Tudo à sua volta pode estar contaminado, desde o chão, as paredes, o ar e até pequenos objetos aparentemente inofensivos.
Apesar disso, o cientista garante que não entra em pânico. “Não é assustador”, explicou na entrevista. “Só tens de aceitar a necessidade de o fazer.” Ainda assim, admite que existe sempre adrenalina: compara a experiência a “conquistar o Everest, viajar ao espaço ou explorar o fundo do oceano”.
Cada entrada no interior do reator exige preparação extrema. Como o tempo é limitado devido à radiação, Anatoly tem de equilibrar rapidez e cuidado ao mesmo tempo, reforçando que o maior perigo começa quando alguém deixa de respeitar os riscos daquele ambiente.
Lá dentro existem também formações de cório, material criado quando o combustível nuclear derreteu após a explosão, incluindo a famosa “Pata de Elefante”, considerada uma das massas mais radioativas alguma vez encontradas pelo ser humano.
Apesar das condições extremas, missões como esta continuam a ser essenciais para monitorizar a estabilidade do local e evitar novos problemas de contaminação. Décadas depois do desastre, Chernobyl continua longe de ser um lugar seguro.
Quando te lembrares dos poucos dias de férias ou do trabalho acumulado, pode ser que te dê algum ânimo extra pensar que, pelo menos, não tens de entrar num reator nuclear destruído em Chernobyl.
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