Um novo estudo da UC Davis Health — ligado à Universidade da Califórnia — e publicado na revista Molecular Psychiatry mostra uma descoberta que pode mudar a forma como vemos a ansiedade. A investigação revela que pessoas com transtornos de ansiedade têm níveis cerca de 8 % mais baixos de colina no cérebro do que pessoas sem ansiedade
A colina é um nutriente essencial para funções cerebrais ligadas à memória, regulação do humor e equilíbrio emocional — e este défice aparece de forma consistente, especialmente no córtex pré-frontal, área do cérebro responsável pelo pensamento, pelas emoções e pela tomada de decisões.
Os autores da meta-análise (que reuniu 25 estudos prévios com quase 712 pessoas no total) afirmam que este pode ser o primeiro sinal químico no cérebro ligado aos transtornos de ansiedade — um padrão neurometabólico que oferece pistas reais sobre as raízes biológicas da ansiedade.
Claro, isto não significa que a ansiedade seja causada apenas por falta de colina — os transtornos de ansiedade são complexos, com múltiplos fatores. Mas abre uma porta promissora: a possibilidade de que a nutrição — através de uma ingestão adequada de colina — possa fazer parte da estratégia preventiva ou de ajuda, ao lado de terapias e acompanhamento clínico.
O que sabemos até agora (e o que ainda falta confirmar)
- A diferença de 8 % na colina cerebral pode parecer pequena — mas no cérebro, pequenos desequilíbrios têm impacto profundo.
- A colina tem um papel vital na estrutura das membranas celulares do cérebro e na produção de neurotransmissores que regulam o humor.
- Muitos dos alimentos ricos em colina — como ovos, fígado, carnes, peixe e alguns legumes — fazem parte de dietas tradicionais. Mas há indícios de que grande parte da população não ingere o suficiente.
- Num futuro próximo, os investigadores esperam testar a relação entre o aumento de consumo de colina (através de dieta ou suplementação) e a redução sintomas de ansiedade — mas, por agora, o estudo apenas evidencia uma correlação.
Alimentos com mais colina por 100g
Para te ajudar, a VERSA reuniu uma lista dos alimentos com mais colina, e o destaque vai para fígado de vaca e frango, assim como ovos, principalmente a gema. Ainda assim, quem tem uma dieta vegan, ou seja, não consome alimentos de origem animal, pode encontrar na linhaça um bom aliado.
1 – Fígado de vaca cozinhado, aproximadamente 431 mg;
2 – Fígado de frango cozinhado, aproximadamente 290 mg;
3 – Ovo cozido (inteiro), aproximadamente 226–252 mg;
4 – Carne bovina magra cozinhada, aproximadamente 104 mg;
5 – Salmão cozinhado, aproximadamente 90 mg;
6 – Carne de porco magra cozinhada, aproximadamente 78 mg;
7 – Linhaça (sementes inteiras), aproximadamente 78 mg;
8 – Amêndoas (frutos secos em geral), aproximadamente 52–53 mg;
9 – Brócolos cozinhados, aproximadamente 40 mg;
10 – Leguminosas cozidas (ex.: feijão enlatado), aproximadamente 31 mg;
