António Lobo Antunes | Fotografia: Getty Images, Leonardo Cendamo
António Lobo Antunes | Fotografia: Getty Images, Leonardo Cendamo
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Morreu António Lobo Antunes que já era "um autor experiente" aos 14 anos e nunca usou computador

António Lobo Antunes morreu esta quinta-feira, 5 de março, aos 83 anos, a informação foi confirmada pela sua editora, a Dom Quixote.

Morreu esta quinta-feira, 5 de março, aos 83 anos, um dos nomes mais importantes e revolucionários da literatura portuguesa: António Lobo Antes. O autor publicou, ao longo da sua carreira, cinco volumes de crónicas e 32 romances, o último, O Tamanho do Mundo, conta a história de um homem com 77 anos a lidar com o envelhecimento, saiu em 2022. 

Nasceu a 1 de setembro de 1942, em Lisboa, filho de Maria Margarida Almeida Lima e do neurologista João Alfredo Lobo Antunes. Era o mais velho dos seis rapazes. 

Começou a sua carreira como escritor na adolescência, entre os 12 e os 13 escreveu "uma dúzia de obras de vária índole, todas elas notáveis: novelas, odes, peças de teatro", contou o próprio autor numa entrevista citada pela CNN Portugal. Por isso, "aos 14 era um autor experiente". Foi também nesta altura que publicou os primeiros textos com um pseudónimo. 

Apesar do talento para a escrita, entrou na Faculdade de Medicina de Lisboa, por imposição do pai, onde estudou psiquiatria. Exerceu, durante vários anos, a profissão de médico psiquiatra no Hospital Miguel Bombarda. Tal como muitos outros jovens, a sua carreira foi interrompida pela guerra quando foi recrutado para o exército. Embarcou para Angola em 1971.

Foi médico no exército durante dois anos. Escreveu diariamente cartas para a mulher, Maria José Xavier da Fonseca e Costa, com quem teve duas filhas. Essas cartas foram publicadas em 2005 no livro D’este Viver Aqui Neste Papel Descripto. E, mais tarde, acabaram por ser transformadas numa longa-metragem realizada por Ivo M. Ferreira e protagonizado por Miguel Nunes e Margarida Vila-Nova.

A experiência na guerra colonial marcou o autor e acabou por ser o tema central de muitos dos seus livros, incluindo os primeiros publicados, em 1979, Memória de Elefante e Cus de Judas, seguindo-se, em 1980, Conhecimento do Inferno. Conseguiu dedicar-se completamente à escrita em 1985. 

Ficou conhecido pela personalidade forte e por saber o que valia. "Nunca ninguém escreveu como eu em português. Para ser totalmente sincero é isto que sinto. É a minha opinião", chegou a dizer. Escrevia de uma forma compulsiva, enchia páginas com a sua letra e nunca usava computador.

Com os anos, acabou por se tornar uma das figuras mais importantes da literatura nacional e um dos escritores portugueses mais lidos, traduzidos e vendidos no mundo. Recebeu mais de 20 prémios, incluindo o Prémio Camões, em 2007; o Grande Prémio de Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, em 1985 e 1999; e o Prémio D. Diniz da Fundação Casa de Mateus, em 1999. 

Já em 2018, a Bibliothèque de la Pléiade anunciou a publicação da sua obra. Lobo Antunes foi o segundo escritor português a conseguir este feito, depois de Fernando Pessoa, e reagiu de forma efusiva. "É o maior reconhecimento que se pode ter enquanto escritor, muito maior do que o Nobel", disse na altura ao Público.

Infelizmente, nunca conseguiu o tão cobiçado Nobel da Literatura, apesar de estar regularmente na lista de possíveis vencedores, mas, numa entrevista ao Diário de Notícias, em 2018, confessou estar em paz com isso.

Em 2021, o autor deixou de escreveu por motivos de saúde e decidiu doar todo o seu espólio, um acervo com cerca de 20 mil livros, à Câmara Municipal de Lisboa. Mesmo assim ainda publicou um livro, em 2022, e dois de crónicas. 

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