Cada casa tem uma assinatura invisível e é mais importante do que imaginas
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Rafaela Simões
- 17 jul, 16:31
Numa casa, não são só os móveis ou a decoração que importam. Aquilo que não se vê, os aromas, também mudam um ambiente. E estes são os mais indicados para cada divisão.
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Uma casa a cheirar bem não tem de ser apenas um verso de uma canção. Muito para lá de Lisboa – ou de qualquer outro lugar –, o aroma que nos recebe quando abrimos a porta de casa pode dizer mais sobre nós do que imaginamos. Entre notas florais, amadeirados ou fragrâncias frescas, os perfumes de interior deixaram de ser um simples detalhe para se afirmarem como uma extensão da personalidade de quem ali vive e uma ferramenta capaz de influenciar o humor, o conforto e até a produtividade.
Mas como escolher a fragrância ideal para cada espaço? Quais são as tendências que estão a marcar o universo das fragrâncias para o lar? E de que forma podemos criar uma verdadeira assinatura olfativa para a casa, sem cair em excessos? Fomos procurar as respostas junto de uma especialista, Tatiana Neves, Diretora Comercial da hôma.
De que forma é que os aromas da casa podem influenciar o nosso humor e bem-estar?
Os aromas têm uma capacidade extraordinária de impactar de forma direta e inconsciente o nosso humor e o nosso estado de espírito. Esta ligação entre aromas e emoções é ancestral, com raízes na aromaterapia, uma prática milenar que recorre a plantas aromáticas e óleos essenciais para promover o equilíbrio
físico e emocional. Atualmente, muitos dos princípios da aromaterapia estão presentes no universo das fragrâncias para o lar, através da seleção de essências associadas a sensações específicas como relaxamento, energia, conforto ou concentração.
Uma vez que o olfato está intimamente ligado ao sistema límbico do cérebro, a área que regula emoções e memórias, um aroma bem escolhido pode transformar um espaço e, consequentemente, a forma como nos sentimos dentro dele.
A lavanda, por exemplo, é famosa pelo seu efeito calmante, perfeita para criar ambientes de repouso, serenidade e descompressão, enquanto que aromas como o eucalipto são valorizados pela sensação de frescura e revitalização que proporcionam, ajudando a criar ambientes que favorecem a clareza mental e a sensação de renovação. Notas mais envolventes, como o âmbar ou a baunilha, conferem calor e conforto, criando uma atmosfera acolhedora e sofisticada, e gerando associações de segurança e estabilidade.
Cada fragrância que escolhemos para o nosso lar é, de certo modo, um convite ao bem-estar, moldando emoções e memórias de forma subtil, mas poderosa, pelo que é essencial identificar as necessidades de cada ambiente, e escolher as essências mais adequadas.
Que principais famílias olfativas em fragrâncias devemos privilegiar para o lar?
Cada família olfativa possui diferentes qualidades e aplicações, pelo que é fundamental definir, em primeiro lugar, como queremos sentir-nos em casa. No ambiente doméstico, é importante criar uma harmonia entre frescura e
vitalidade, entre relaxamento e conforto.
As novas formas de viver, que muitas vezes incluem trabalhar em casa, acordar cedo para praticar atividade física ou estudar e, ao mesmo tempo, descomprimir ao final do dia e ter um descanso de qualidade, apelam a uma seleção equilibrada de essências olfativas em diferentes momentos e áreas da casa.
Os florais como jasmim, rosa e flor de laranjeira são perfeitos para trazer leveza e elegância aos espaços, evocando uma sensação de serenidade e bem-estar. Aromas reconfortantes e envolventes, como baunilha, âmbar, sândalo, patchouli e mirra, conferem profundidade e aconchego, ideais para salas de estar ou quartos, ao final do dia, onde queremos criar intimidade e tranquilidade.
Por outro lado, notas frescas e energizantes, como flor de algodão ou açaí, trazem vitalidade e um toque de modernidade, perfeitos para o verão que se aproxima ou para quem precisa de uma motivação extra. Integrar todas estas fragrâncias de forma estratégica e equilibrada permite criar um lar que é simultaneamente acolhedor, sofisticado e expressivo.
Podemos dizer que o perfume da casa se tornou também uma forma de expressão pessoal e de identidade?
Sim, sem dúvida. Tal como escolhemos cores, móveis e objetos decorativos enquanto extensão do nosso estilo pessoal, a forma como perfumamos a nossa casa é também um reflexo da nossa personalidade e do nosso estilo de vida.
A assinatura olfativa de uma casa é a primeira coisa que sentimos ao entrar nela, é algo que comunica cuidado, intencionalidade e sensibilidade estética. O perfume da casa deixou de ser apenas funcional, assumindo-se hoje como um elemento da experiência decorativa e de expressão pessoal, capaz de criar memórias e experiências únicas para quem vive e visita o espaço.
Que tendências tem vindo a observar no mercado das fragrâncias para o lar?
As fragrâncias de interior têm evoluído para responder a uma procura crescente por produtos mais complexos e sofisticados, baseados em essências naturais, capazes de evocar emoções positivas e memórias sensoriais.
Temos observado uma valorização crescente de essências botânicas, como a lavanda, o jasmim, a rosa, a flor de algodão ou o figo, muitas vezes combinadas com notas mais profundas e sofisticadas, como âmbar, baunilha, sândalo, mirra e patchouli.
A personalização, no sentido de ajustar a fragrância à decoração ou ao mood do ambiente, é também uma forte tendência. Assistimos a um crescente foco no bem-estar sensorial, com fragrâncias desenhadas para estimular relaxamento, concentração ou energia, transformando cada divisão da casa num verdadeiro santuário sensorial.
Outra evolução que tem vindo a ocorrer é a inovação e diversidade nos formatos de apresentação das fragrâncias para o lar, desde difusores, que se integram de forma cada vez mais harmoniosa na decoração, a sprays suaves, à semelhança de um perfume, ou versões mais orgânicas, como os mikados, ou suaves, como
as velas aromáticas.
Que cuidados ou recomendações deixaria para quem quer usar fragrâncias em casa de forma equilibrada, garantindo bem-estar sem sobrecarregar o ambiente?
A chave está no equilíbrio e na intenção, sendo importante escolher aromas que se complementem e harmonizem com o ambiente, evitando sobrecarga sensorial. Em espaços pequenos, fragrâncias suaves como flor de algodão, lavanda ou manjericão podem ser suficientes, enquanto em áreas maiores podemos recorrer a notas mais intensas e acolhedoras, como baunilha, âmbar ou patchouli.
A ventilação também é essencial, porque as fragrâncias revelam-se mais agradáveis e eficazes num ambiente devidamente limpo e arejado, e é também fundamental respeitar a sensibilidade de quem vive na casa, criando uma experiência olfativa agradável e inclusiva para todos, nos formatos que mais se adequam a cada família.
Quando bem pensadas, as fragrâncias elevam a experiência de estar em casa, promovem bem-estar e impactam o humor de uma forma estratégica, inconsciente e, a longo prazo, verdadeiramente transformadora.
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