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8 lições de autoestima de homens e mulheres dos 20 aos 55 anos

O amor-próprio pode ser quantificado? O que aprendemos com o passar dos anos? E o que deixamos para trás? Testemunhos honestos sobre ideais de beleza e problemas com a imagem, as inseguranças com o corpo e como as ultrapassaram.

Patrícia, 48 anos

“Tira o melhor partido das tuas qualidades: se tens um bom cabelo, solta-o, deixa-o crescer. Se tens um corpo bem torneado, não o escondas (mas também não o exibas). Se tens uma boca bonita, usa batom forte, se tens uns olhos bonitos carrega no eyeliner. E esquece isto tudo porque a beleza é mesmo uma coisa muito mais complexa do que a aparência física. Cuida-te bem, come bem, dorme bem, estraga-te um bocadinho,mas não demasiado e aceita o que te foi dado, só assim farás o melhor de cada uma das tuas qualidades que esconderão os “defeitos”. Nunca queiras ser o que não és, a artificialidade desfeia e envelhece.”
 

João, 48 anos

“Não me recordo de ter inseguranças, talvez apenas alguma timidez quando tive que sair da zona de conforto. A passagem entre os 40 e os 50 tem sido muito rápida, a viver o dia a dia intensamente e com uma maior preocupação com a saúde. Cuidados pouco exagerados com beleza, utilização diária de um creme ou outro para a cara e limpeza dentária com regularidade. A um jovem diria para viver um dia de cada vez, intensamente, aproveitar e ser feliz a fazer coisas que goste. Infelizmente vejo as pessoas à minha volta cada vez mais focadas em si próprias, pouco preocupadas com o mundo que as rodeia. Cada vez mais egoístas.”

Beatriz, 34 anos

“Não sei se as minhas inseguranças passaram, mas posso dizer que lido melhor com elas. Ou pelo menos faço esse esforço. Só o facto de não me deixar absorver pela insegurança durante tanto tempo como quando era mais nova parece-me um passo gigante. Quando somos mais novos, sentimos tudo à flor da pele - agora sei que há coisas mais importantes, e que ficar uma hora a olhar para uma pilha de roupa sem saber o que vestir simplesmente não é hipótese na vida adulta. Achamos que aos 30 temos tudo resolvido e perceber, quando lá chegamos, que não é bem assim torna a coisa ainda mais difícil, acho. Sinto que há uma data de coisas que não fiz ou que devia estar a fazer. Ao mesmo tempo também sinto uma certa paz porque começo a perceber que o que importa é a minha realidade e não a realidade que supostamente devia viver. A lição que melhor aprendi e mais tento aplicar é a de pensar: ‘Nada disso vai importar daqui a umas horas/meses/anos’.”

Rui, 26 anos

“Autoestima pode até ser uma palavra pequena, mas ao mesmo tempo é tão complexa, pelo menos aos meus olhos. Os crescidos parecem tê-la bem descodificada e cientes do seu significado, já eu ando perdido nesse conceito. Falar sobre autoestima e estar ainda na casa dos 20s é traiçoeiro. As inseguranças habitam todas dentro de mim, mesmo que a casca exiba uma postura confiante e assertiva. Lembro-me de quando completei 20 anos pensar que uma grande mudança estava para acontecer, que todos os medos se dissipariam num abrir e fechar de olhos, que tolice a minha. Não desvaneceram, antes pelo contrário, intensificaram. É como se todos os dias tivesses que provar quem és, o que é que procuras, quais são os teus objetivos, interesses e afins. E de todas as vezes que nos dizem ‘isso passa com a idade’, ‘aproveita estes anos’, ‘são os anos dourados’, gostava de frisar: estamos demasiados embriagados pelo turbilhão de emoções que vivemos que, muitas vezes, não temos o discernimento para perceber que talvez estes sejam mesmo os nossos melhores anos. Se pudesse dizer alguma coisa à minha versão mais jovem diria para não pensar tanto naquilo que os outros possam pensar ou dizer. Estar demasiado preocupado com aquilo que não podemos controlar. Não vai dar em nada e não é assim tão relevante quanto isso. Se o Rui me pudesse ouvir, diria para não criar tanta resistência ao amor, às relações e ao outro.”

Sofia, 42 anos

“Com a idade há uma confiança que se ganha, especialmente no trabalho, na vida. Há uns anos era incapaz de subir a um palco e falar para 600 pessoas, hoje posso dizer been there, done that. Mas o mais engraçado é que com os 40 também surgem outras inseguranças, com a pele, com o corpo. A única coisa que mais me assusta no horizonte (espero longínquo) é envelhecer com pouca saúde; com o resto convivo bem. Apesar de todas as campanhas pelos corpos reais, o que vejo e sinto à minha volta é que o corpo e o ‘estarmos bem com o nosso corpo’ ainda não está totalmente resolvido nas mulheres. Continuamos à procura de dietas milagrosas, a passar fome para caber naquele vestido. Acho que ainda há muito a fazer: mais campanhas, mais informação, mais partilhas. Ainda aguardo por um conselho que me ajude a gostar de tudo o que vejo quando me olho ao espelho, mas à minha versão mais jovem diria: ‘Não fumes! Nunca! Não experimentes nem um cigarro!’”

Rogério, 55 anos

“Desde a infância até à vida adulta somos atormentados pelos pensamentos sobre morte, envelhecimento, qualidade de vida, família e vida profissional, entre outros. A minha principal ajuda para superar todas as etapas é o amor e a família. Atingi os 50 anos com alto nível de confiança e determinação e agora estou a dar mais atenção à saúde e alimentação, pois doenças e dificuldades de mobilidade passaram a fazer parte das minhas preocupações futuras. Olhando para trás, gostaria de me ter preocupado menos, estudado mais e algo que faço até hoje: manter pessoas positivas à minha volta que agregam coisas boas à minha vida.”

Inês, 42 anos

“Desde miúda comecei a ter problemas de autoestima, nunca me senti bem com o meu corpo. Achava sempre que era mal feita, gorda… Se por um lado toda a gente dizia que tinha uma cara bonita, claramente isso não chegava para me fazer sentir bem. Demorava horas para me vestir todos os dias, não gostava de comprar roupa, odiava ir a lojas. Vestia oversized porque achava que me favorecia, vivia escondida na roupa. Não fazia exercício físico, tinha imensas dificuldades em manter um plano alimentar que me fizesse atingir objetivos. Cheguei a sentir-me muito deprimida. Não sei explicar qual foi o momento exato de transformação, mas foi depois de ter filhos, aos 33 anos, que comecei a ver o potencial que podia ter, se tratasse melhor de mim. O que até é irónico - menos tempo, menos horas de sono, no entanto muito mais foco e disciplina tornaram-se uma realidade.

As redes sociais foram importantes para esta consciência. Via nos testemunhos de outras mulheres a possibilidade de me tornar também eu nessa pessoa. E a verdade é que me sinto melhor agora, aos 40, do que alguma vez me senti. Tenho ainda as minhas inseguranças, mas sou muito mais saudável e feliz comigo. Sei que vou envelhecer de uma forma crescida, porque me aceito, porque me descobri, porque sei o que é importante para mim.”

Francisca, 29 anos 

“Vejo muito pouco amor-próprio e não sei se há uma fórmula mágica para que tal mude. No que toca às gerações mais novas, culpo o ideal de perfeição que continua a ser cultivado nas redes sociais, mas o que realmente me preocupa não são as mais novas, mas, sim, as mulheres da minha idade que escolhem ter relações tóxicas, por conta da baixa autoestima, bem como de uma carência preocupante e tão pouco exigente (mas isto dava toda uma outra conversa). Durante a adolescência, e até não sei bem quando, vivia com a preocupação constante e obsessiva de perder peso. Algo que chegou mesmo a culminar num distúrbio alimentar. Na altura, o que me ajudou não foi o acompanhamento de um psicólogo, mas, sim, de um nutricionista, a quem eu atribuía autoridade na matéria e, por isso, consegui confiar-lhe a minha relação com a comida. Hoje em dia a minha autoestima é muito maior e diferente do que quando era mais jovem. À medida que os anos passam aprendemos a gostar mais de nós e a não sabotarmos a nossa autoimagem. ‘A confiança é a chave da beleza’ - acredito que ninguém se sente perfeito, nem vamos ser perfeitos para toda a gente. Por isso mesmo, vejo beleza nas pessoas que sentem confiança nelas mesmas. A beleza está na segurança que tens em ti mesma.”

Patrícia, 48 anos

“O melhor conselho de autoestima que já recebi foi o de que a inteligência é a maior arma de autoestima e o maior afrodisíaco. Cresci numa família de mulheres que não só envelheceram bem como sempre viveram bem com a idade, então nunca tive aquela ideia de que ser mais velha mudaria alguma coisa. Mais, sempre achei lindas mulheres de todas as idades e sempre acreditei que a idade só sofistica o que temos – para o bem e para o mal. É mais importante ser-se interessante do que bela ou fit. Existe ainda um preconceito – que é ignorância, como todos - enorme sobre a beleza e a sexualidade dos 40 e 50 anos. Começas a olhar à tua volta e as mulheres começam a perder a autoestima e a gostar menos do seu corpo ou a forçá-lo a ser o que não é. Não sofro disso. A única coisa que me assusta, mas ainda estará um pouco longe, é a velhice – mas só se perder lucidez, capacidades motoras ou as pessoas que amo. Acho que nos devemos cuidar, mas numa medida certa, para não sermos escravas da imagem. E ainda mais da idade. O esforço nota-se sempre e é muito pouco sexy.”

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