66 anos depois, a história da assistente de bordo que nunca quis aterrar
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Rafaela Simões
- 7 jun, 01:56
Do futebol à aviação, há carreiras que têm o tempo limitado, mas não é este o caso. Joan é um exemplo de como a profissão de assistente de bordo não tem de ter um prazo de validade.
A história de Joan Prince Crandall, a hospedeira de bordo com mais anos de serviço em atividade
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Durante décadas, a profissão de assistente de bordo foi vista como uma carreira com prazo de validade. As companhias aéreas procuravam jovens com boa apresentação, impunham regras rígidas sobre aparência e, em muitos casos, obrigavam as mulheres a abandonar a profissão quando casavam ou atingiam determinada idade. Contudo, hoje, a realidade é bastante diferente e a norte-americana Joan Prince Crandall é um espelho disso.
Após mais de 66 anos de carreira, Joan é considerada pela Delta Air Lines como a hospedeira de bordo com mais anos de serviço em atividade na indústria da aviação. Tudo começou em 1959 na Pacific Airlines, uma época em que viajar de avião ainda era uma experiência reservada a uma minoria. O primeiro aparelho onde trabalhou foi um Douglas DC-3, uma aeronave com capacidade para apenas 24 passageiros.
Na altura, as companhias procuravam sobretudo mulheres jovens que correspondessem a um ideal de elegância e sofisticação. “Queriam mulheres jovens com uma aparência glamorosa”, recorda em entrevista à CNN internacional.
Os saltos altos, os uniformes cuidadosamente desenhados e a atenção ao detalhe faziam parte do quotidiano, mas por detrás da imagem elegante escondiam-se condições de trabalho que hoje seriam difíceis de imaginar.
Muitas transportadoras impunham limites de peso, controlavam a aparência das funcionárias, proibiam o casamento e estabeleciam uma idade máxima para exercer a profissão. Algumas obrigavam mesmo as hospedeiras a reformar-se aos 32 anos.
Mas não foi o caso. Durante a longa carreira, Joan assistiu a uma sucessão de fusões e transformações no setor, uma vez que depois da Pacific Airlines veio a Air West, a Hughes Airwest, a Republic Airways, a Northwest Airlines e, finalmente, a Delta Air Lines, onde trabalha desde 2008. E não foram só as companhias que mudaram.
Em 1964, com a aprovação da Lei dos Direitos Civis nos Estados Unidos, a inclusão da proibição da discriminação com base no sexo teve um impacto profundo na profissão.
A partir desse momento, as mulheres passaram a poder casar e ter filhos sem receio de perder o emprego. Para Prince Crandall, essa alteração legislativa transformou completamente o futuro das hospedeiras de bordo.
“Mudou a vida das mulheres no país, e foi uma mudança enorme para as hospedeiras”, recorda.
Grandes mudanças aconteceram também na aviação comercial com a evolução tecnológica, que transformou radicalmente a experiência de voo. Um dos aviões da Pacific Airlines transportava pouco mais de três dezenas de passageiros. Hoje, um Airbus A350 da Delta pode acomodar mais de 300 pessoas.
Apesar disso, algumas responsabilidades mantiveram-se inalteradas.
A segurança continua a ser o elemento central da profissão. Se antigamente o foco público recaía sobre o serviço a bordo, atualmente são treinados para lidar com evacuações, incêndios, turbulência severa, emergências médicas e inúmeras outras situações críticas.
Mas há também o lado bom: viajar. Paris, Mumbai e Hong Kong estão entre os destinos que mais aprecia visitar e quando finalmente decidir reformar-se, os planos incluem continuar a explorar o mundo – desta vez como passageira.
O mais impressionante na sua história de Joan Prince Crandall talvez não sejam os 66 anos de carreira, nem o facto de ter assistido à transformação da aviação. O que realmente desafia os estereótipos é a demonstração de que a profissão de assistente de bordo não tem necessariamente um prazo de validade.
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