Viajar é, para muitos, sinónimo de conforto e companhia. Seja num avião, comboio ou autocarro, é natural que casais ou familiares procurem sentar-se lado a lado, no entanto, esta realidade poderá estar prestes a mudar, especialmente no caso dos passageiros mais idosos.
Um novo estudo veio demonstrar que, em cenários de emergência, a forma como os passageiros estão distribuídos no avião pode fazer uma diferença significativa e até salvar vidas. Em causa está uma diferença de 1 minuto e 17 segundos no tempo de evacuação de uma aeronave, um intervalo que pode ser fatal em situações como um incêndio.
A investigação centrou-se no chamado “efeito da distribuição de passageiros idosos na evacuação de aeronaves A320 em cenários de incêndio com dois motores” e o objetivo foi perceber de que forma a presença e a localização de passageiros com mais de 60 anos influenciam a rapidez da evacuação.
Devido a uma menor mobilidade e agilidade, a concentração de vários idosos numa mesma área da cabine pode criar estrangulamentos durante uma evacuação de emergência, dificultando o acesso às saídas e atrasando todo o processo.
Para analisar esta questão, os investigadores criaram 27 cenários de simulação e os resultados foram claros: nenhum dos cenários conseguiu cumprir o requisito de evacuação em 90 segundos, imposto pela Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos, e o cenário mais rápido registou um tempo de 141 segundos, enquanto o mais lento atingiu 218,5 segundos.
O fator determinante foi a forma como os passageiros idosos estavam distribuídos. Quando estes se encontravam sentados de forma aleatória (frequentemente juntos, como acontece numa situação normal de reserva de lugares) o tempo de evacuação aumentava significativamente. Por outro lado, quando os idosos eram uniformemente distribuídos pela cabine, o tempo de evacuação reduzia-se para os já mencionados 141 segundos.
Em termos práticos, isto significa que a concentração de passageiros com mais de 60 anos pode atrasar a evacuação em 1 minuto e 17 segundos, uma diferença crítica em cenários de emergência.
Além disso, o estudo revelou que proporções mais elevadas de passageiros idosos e disposições inadequadas dos assentos resultam numa utilização desigual das saídas de emergência, agravando ainda mais os atrasos.
O que poderá mudar no futuro?
Perante estas conclusões, especialistas defendem que as companhias aéreas poderão vir a considerar novas políticas de atribuição de lugares, distribuindo deliberadamente os passageiros idosos pela cabine. Tal medida poderá surpreender casais ou familiares que pretendam viajar juntos, mas teria como principal objetivo aumentar a segurança de todos a bordo.
Embora não existam ainda regras oficiais implementadas a nível global, este tipo de investigação poderá influenciar futuras recomendações das autoridades de aviação e das próprias companhias aéreas.
Assim, da próxima vez que embarcares num avião, não te surpreendas se a disposição dos lugares for diferente da habitual.
Se já estás a pensar no próximo destino, deixamos várias sugestões na galeria de imagens.
