Coração | Fotografia: Unsplash
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Cuidares do teu coração é cuidares da tua vida. Eis como fazê-lo

Artigo de opinião

No Dia Europeu da Insuficiencia Cardiaca, a VERSA partilha a opinião da cardiologista e dirigente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, Graça Caires, sobre como cuidares do coração.

Dra. Graça Caires, Cardiologista, dirigente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia

No mês de maio, mês do Coração, é essencial lembrar que as doenças cardiovasculares continuam a ser a principal causa de morte em Portugal e no mundo. Estima-se que mais de 30 mil portugueses percam a vida anualmente devido a problemas cardíacos, muitos dos quais poderiam ser evitados com prevenção, rastreios e mudanças no estilo de vida.

O coração é o motor do nosso corpo – trabalha incessantemente para bombear sangue e oxigénio para todos os órgãos. No entanto, fatores como a hipertensão, o colesterol elevado, a diabetes, o tabagismo, a má alimentação, o sedentarismo e o stress crónico colocam-no em risco. Com o envelhecimento da população e os hábitos modernos, é cada vez mais urgente agir. A boa notícia é que mais de 80% das doenças cardíacas prematuras podem ser prevenidas.

Pequenas mudanças no dia a dia fazem uma grande diferença: caminhar 30 minutos por dia, reduzir o sal e os açúcares, incluir mais legumes e frutas na alimentação, parar de fumar e controlar a pressão arterial são passos simples com enorme impacto.

Neste dia 5 de maio assinala-se o dia Europeu da Insuficiência Cardíaca, que é uma condição crónica e progressiva que afeta a qualidade de vida de milhões de europeus e representa uma das principais causas de hospitalização em pessoas com mais de 65 anos. Em Portugal, estima-se que cerca de 40 mil casos surjam todos os anos, afetando 700 mil pessoas com idade igual ou superior a 50 anos, 90% destas desconhecem que sofrem desta doença. E, nos próximos anos, estes números têm tendência para aumentar devido ao envelhecimento da população e à prevalência crescente de fatores de risco como hipertensão, diabetes e obesidade.

Esta condição ocorre quando o coração perde a capacidade de bombear sangue de forma eficiente, comprometendo o fornecimento de oxigénio e nutrientes ao corpo. Os sinais e sintomas mais comuns são a falta de ar, fadiga extrema, inchaço nos tornozelos e ganho de peso repentino. Muitas vezes, estes sinais são confundidos com o envelhecimento normal, o que leva a um diagnóstico tardio e agrava o prognóstico com maiores complicações.

A deteção precoce e o tratamento adequado são fundamentais para controlar os sintomas e evitar hospitalizações repetidas. A terapêutica inclui mudanças no estilo de vida, medicação específica e, em casos mais avançados, dispositivos médicos ou transplante cardíaco. O papel dos cuidados de saúde primários e da educação da população é crucial.

As campanhas de sensibilização, como as promovidas pela Sociedade Portuguesa de Cardiologia (SPC) e outras entidades, são fundamentais para educar e mobilizar a população. Mas a responsabilidade é de todos: profissionais de saúde, decisores políticos, meios de comunicação e cidadãos.

Neste dia, o convite é simples: escute o seu coração. Vá a uma consulta, faça exames de rotina, mexa-se mais, coma melhor, durma bem. Reconhecer os sinais e procurar ajuda médica pode fazer toda a diferença. A insuficiência cardíaca não tem cura, mas pode ser controlada, e quanto mais cedo for diagnosticada, melhor será o prognóstico.

Este dia é também um apelo à equidade na saúde. Muitos portugueses ainda enfrentam dificuldades no acesso a cuidados cardíacos, especialmente em zonas rurais e comunidades mais vulneráveis. Investir na literacia em saúde, reforçar os cuidados primários e garantir o acesso a rastreios e tratamentos deve ser uma prioridade nacional.

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