A parentalidade é um desafio e, apesar de não haver certos e errados, nem tão pouco um modelo linear a seguir, podem existir pais que defendem algumas orientações essenciais. Que o diga Kate Middleton, mãe de três filhos – o Príncipe George, a Princesa Charlotte e o Príncipe Louis – e fundadora do centro para a “early childhood” (primeira infância), como parte do projeto Royal Foundation.
Este centro é um bom exemplo de como a educação é crucial para o desenvolvimento das crianças, preparando-as para a vida adulta, e num novo relatório intitulado Shaping Us Framework, Kate Middleton identifica aquelas que são para si as 30 “competências cruciais para a vida” de uma criança.
Têm como base a opinião da Princesa de Gales, assim como o parecer de académicos, médicos e profissionais em desenvolvimento humano de todo o mundo e são apenas indicações. "Kate não pretende substituir estruturas existentes, mas oferece – pela primeira vez – uma forma universal e flexível de falar sobre competências sociais e emocionais que abrange todas as áreas da vida e envolve um público alargado. Abrange a primeira infância e continua até à idade adulta, reconhecendo que as nossas competências sociais e emocionais estão na base de todas as áreas do desenvolvimento humano", pode ler-se na notícia publicada no site do Centre for Early Childhood.
É natural que algumas experiências da vida pessoal dos Príncipes de Gales não sejam incluídas no relatório, entre elas a regra imposta à família real britânica de que nos jantares oficiais e no Natal as crianças não podem sentar-se à mesa com os adultos, o que significa que os Príncipes George, Charlotte e Louis nem sempre podem jantar com Kate e o Príncipe William.
Então que outras lições de educação podemos tirar do relatório que inclui o parecer de Kate Middleton? Destacamos cinco delas.
1. Conhecermo-nos bem
Competências: compreender os nossos próprios pensamentos, sentimentos e crenças; assumir o controlo da nossa vida; ter esperança no nosso futuro.
"Estas competências permitem-nos descobrir quem somos em relação a nós próprios, às outras pessoas e ao mundo que nos rodeia. Trata-se de saber coisas simples, como a música que preferimos, ter consciência de como reagimos em determinadas situações ou do que sentimos que é importante na vida. Este conhecimento pode ajudar a construir uma imagem da vida que queremos ter e de como lá chegar."
2. Saber gerir as emoções
Competências: compreender as nossas próprias emoções e as dos outros; ter formas de gerir as nossas emoções.
"Estas competências significam que podemos lidar com o que sentimos ao longo da vida, especialmente em situações que podem provocar emoções fortes. Podermos saber que, para nós, como indivíduo, ter dificuldade em concentrar-nos, sentir que o coração está a bater fortemente no peito ou sentirmo-nos fisicamente doentes pode significar que nos estamos a sentir-nos muito preocupados. Para além disso, termos palavras para descrever como nos estamos a sentir, e talvez alguém com quem possamos falar, e sabermos o que nos ajuda enquanto indivíduos – talvez dar um pequeno passeio ou passar tempo com amigos – para lidar com esses sentimentos."
3. Estar atento aos pensamentos
Competências: concentrar a nossa atenção; estar consciente e direcionar os nossos pensamentos; ponderar a informação; tomar decisões que são corretas para nós próprios e para os outros; resolver problemas; fazer uma pausa antes de agir; ser flexível; continuar; recuperar.
"Estas competências ajudam-nos a gerir a vida quotidiana e a variedade de tarefas que precisamos de realizar. Isto inclui tarefas em que nos envolvemos muitas vezes, como as compras semanais de alimentos. Isto pode implicar concentrarmo-nos nas refeições que queremos cozinhar para podermos escrever uma lista de compras, decidir o que comprar, escolher uma alternativa se o que queremos esgotou – e impedirmo-nos de comprar apenas gelados. Também inclui tarefas muito mais complexas, como fazer exames, gerir um grande projeto de trabalho, mudar de casa ou lidar com os aspectos práticos da morte de um ente querido."
4. Comunicar com os outros
Competências: ouvir e compreender os outros; exprimirmo-nos.
"Estas competências constituem a base para muitas outras competências sociais e emocionais, permitindo-nos compreender o que os outros partilham connosco – um amigo que envia informações sobre onde o encontrar, um parceiro que partilha os seus sentimentos sobre um grande dia, um cantor que exprime um desgosto através da sua música –, bem como a capacidade de também fazer partilhas. Isto significa expressar quem somos de muitas formas diferentes para partilhar eficazmente com as pessoas que nos rodeiam o que sabemos, o que estamos a sentir e o que estamos a pensar."
5. Cultivar as nossas relações
Competências: aceitar os outros como são; compreender e sentir as emoções de outra pessoa; compreender o que alguém pode estar a pensar; ser gentil; dar sem esperar retorno; envolvermo-nos com os outros; construir relações positivas; amar e ser amado; trabalhar bem com os outros; estabelecer e respeitar limites; gerir conflitos.
"Estas competências permitem-nos relacionarmo-nos com pessoas em situações muito diferentes: a pessoa que está ao nosso lado à espera do autocarro, ou o rececionista do centro de saúde, as pessoas que vemos regularmente, como amigos da escola ou colegas de trabalho, ou a família e amigos próximos com quem temos uma ligação profunda. As competências incluem ajudar-nos a criar e a manter ligações positivas com os outros, mesmo quando não estamos de acordo."
