Muitas vezes queixamo-nos de “dores nas pernas”, desesperamos por2, mesmo com dieta ou exercício, não conseguirmos “perder a gordura nas pernas” e até aceitamos que na nossa família “as mulheres têm todas as pernas assim gordinhas, saio à minha avó e à minha mãe” dizemos. “Estas queixas caracterizam uma doença que se chama Lipedema. O Lipedema é uma doença que está descrita desde 1940, mas só foi considerada doença pela OMS em 2019. Durante anos estas doentes foram rotuladas de “gordinhas” e os únicos conselhos médicos que recebiam eram: “aprenda a viver assim”, “faça dieta”, “vou receitar estes medicamentos...” mas que não tinham efeito”, explica a médica de Cirurgia Vascular Ana Afonso.
Os dias das doentes com Lipedema são, como nos explica, com dor constante e crónica nas pernas e um cansaço extremo, uma imagem corporal desadequado e a frustração de não conseguirem o bem estar que desejam. “O Lipedema é uma doença crónica que se caracteriza pela acumulação de gordura inflamada e com fibrose. Há um aumento desproporcional do volume das pernas em relação ao resto do corpo podendo atingir as ancas e/ou coxas e/ou pernas e, mais raramente, os braços. Os sintomas mais frequentes são a dor e peso nas pernas, uma sensação dor intensa ao toque ( uma massagem nas pernas ou uma carícia de um filho é dolorosa), nódoas negras espontâneas e frequentes, presença de nódulos na pele que assume uma superfície irregular tipo celulite”, acrescenta.
Atinja cerca de 11% das mulheres no mundo, embora o número seja superior pois a maioria desconhece a doença e não tem o devido diagnóstico, que é feito numa consulta de Cirurgia Vascular.
Quais as principais “queixas” de quem a procura e procura consulta?
As pacientes com Lipedema apresentam queixas de dores nas pernas, cansaço ao final do dia e sensação de dor ao toque, mas a principal queixa é o desconforto estético com aumento do volume das pernas e que é desproporcional ao resto do corpo: “Sou uma pessoa da cintura para cima e
outra totalmente diferente da cintura para baixo”. Esta gordura inflamada nas pernas é muito resistente às dietas e ao exercício físico.
Quais as causas associadas a esta doença?
As causas do Lipedema não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que haja uma base genética, uma vez que as pacientes com Lipedema reportam este traço físico com as pernas “gordinhas” nas mulheres da família (avós, mães, tias). Existe ainda uma relação hormonal, uma vez que esta doença se agrava em períodos de maior desequilíbrio hormonal como a puberdade, gravidez ou peri-menopausa.
O que se pode fazer, que tipo de acompanhamento médico e tratamentos?
O Lipedema é uma doença crónica, sem cura, mas com tratamento. O tratamento começa por ser não invasivo e consiste na dieta anti-inflamatória, exercício físico, medicamentos flebotônicos, drenagem linfática e o uso de meias de contenção elástica.
Para obter resultados estéticos mais rápidos existem os tratamentos mais invasivos como as cirurgias de redução da gordura localizada nas zonas afetadas.
E resultados? É possível resolver o problema com eficácia?
Os resultados obtidos com o tratamento conservador são muito satisfatórios, mas não têm efeito imediato. As pacientes com Lipedema necessitam de ter consciência da doença crónica de que padecem e que a obtenção de resultados, no que concerne ao conforto e sintomas da doença são relativamente rápidos de alcançar, contudo a redução tão desejada do volume das pernas tende a ser mais lento o que causa alguma frustração. Com os tratamentos cirúrgicos redutores do volume das pernas os resultados são imediatos.
