Sono | Fotografia: Unsplash/Alexandra Gorn
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A nova obsessão pelo sono perfeito: quando dormir se torna competição

Há uma nova tendência de beleza em que a qualidade do sono e o número de horas passadas a dormir são escrutinados. Mas será benéfico?

O sono de qualidade tornou-se uma das novas tendências de beleza, com celebridades e empresários a transformarem o ato de dormir numa espécie de competição. O fenómeno, conhecido como sleepmaxxing, representa uma mudança significativa na cultura que glorificava o trabalho excessivo e as horas de sono insuficientes.

De acordo com um estudo da Associação Portuguesa do Sono, 18,3% da população portuguesa entre os 18 e os 64 anos sofre de insónia clinicamente significativa, enquanto que a insónia crónica afeta cerca de 25% da população, segundo dados da mesma associação.

Para combater esta epidemia de problemas relacionados com o sono, surgiu um mercado de produtos e tecnologias: ventiladores específicos para regular a temperatura dos lençóis, óculos inteligentes, mantas pesadas e até fitas para melhorar a respiração nasal durante o sono. 

Celebridades como Dakota Johnson, que afirma dormir até 14 horas por dia, Gwyneth Paltrow e Kim Kardashian partilham publicamente os seus resultados de sono através de anéis inteligentes Oura, uns dispositivos que monitorizam o sono e que custam mais de €400.

No entanto, especialistas alertam sobre os riscos desta obsessão pelo sono perfeito. Anjana López, do Grupo de Trabalho de Insónia da Sociedade Espanhola de Sono, citada pelo El País, adverte que a preocupação excessiva com a qualidade do sono pode ser contraproducente. "Quando nos fixamos em ver como dormimos, desencadeamos um mecanismo de alerta cerebral que impede o relaxamento do cérebro", explica. 

A falta de sono adequado pode afetar diversos sistemas do corpo, desde o imunológico até ao cardiovascular, além de prejudicar a memória e acelerar o envelhecimento cerebral. Por isso, é importante entender que um sono de qualidade deve ser visto não como um luxo ou uma competição, mas como uma necessidade básica de saúde acessível a todos.

Os especialistas recomendam uma abordagem mais natural ao sono, sem obsessões por métricas ou com recurso a dispositivos. O sono ideal acontece naturalmente, sem esforços excessivos, e deve ser adaptado às necessidades individuais de cada pessoa, considerando a idade, rotina e condições específicas de saúde.
 

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