O hábito de beber água quente com limão pela manhã tornou-se um fenómeno viral nas redes sociais, com influenciadores a alegarem que a prática está associada a uma série de benefícios para a saúde. Um vídeo no TikTok, por exemplo, afirma que em apenas uma semana de consumo diário, é possível queimar mais calorias, melhorar a hidratação, eliminar toxinas, fortalecer o sistema imunológico ou melhorar a digestão.
No entanto, especialistas alertam que muitas dessas alegações carecem de fundamentação científica. Emily Ho, professora de nutrição e diretora do Instituto Linus Pauling na Universidade Estadual do Oregon destaca, citada pelo New York Times que, embora a água com limão possa ser uma forma refrescante e saudável de começar o dia, as evidências para muitos dos benefícios divulgados não se comprovam.
O principal benefício nutricional da água com limão é a hidratação, especialmente importante pela manhã, após horas sem ingestão de líquidos. A hidratação adequada é essencial para manter a temperatura corporal, lubrificar as articulações e eliminar resíduos.
Quanto à digestão, embora a água seja crucial para o sistema digestivo, não há evidências conclusivas de que o limão tenha um efeito significativo. Um estudo de 2022 sugeriu que o sumo de limão pode acelerar o esvaziamento gástrico, mas a investigação foi limitada.
O limão é rico em vitamina C, importante para a função imunológica. No entanto, não há evidências sólidas de que o consumo adicional de vitamina C fortaleça o sistema imunitário.
Em relação à perda de peso, não há provas concretas de que a água com limão afete o metabolismo ou o peso corporal. Qualquer benefício nesse sentido deve-se, provavelmente, à substituição de bebidas mais calóricas.
Água com limão é uma opção saudável e hidratante, especialmente se consumida no lugar de bebidas açucaradas, mas os especialistas ouvidos pelo jornal norte-americano são peremptórios nas suas conclusões: não é o elixir milagroso frequentemente retratado nas redes sociais. Joan Salge Blake, nutricionista e professora da Universidade de Boston, resume-o desta forma: “Não há nada de errado com isso, mas também não há nada realmente milagroso.”
