Dia Mundial do Café | Fotografia: Unsplash
Dia Mundial do Café | Fotografia: Unsplash
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Quem diz que o café não afeta o sono está certo? E devemos beber mais de 3 cafés? Especialista responde

Acreditamos que queiras celebrar o Dia Mundial do Café, mas não bebas demasiados. Porquê? Os efeitos vão além do que possas pensar.

Para muitos portugueses, uma chávena de café marca o verdadeiro início do dia. E hoje é dia que o celebrar, uma vez que a 14 de abril assinala-se o Dia Mundial do Café.

Apesar de amplamente apreciado, o café levanta questões importantes relacionadas com a tolerância individual à cafeína, a qualidade do sono e a possível dependência. Embora muitos não dispensem a sua dose diária de energia, é essencial compreender como o organismo reage e quais os limites para um consumo equilibrado.

A ciência tem vindo a demonstrar que fatores genéticos, hábitos de vida e até determinados medicamentos podem influenciar a forma como cada pessoa experiencia os efeitos da cafeína e neste Dia Mundial do Café é altura de falar disso mesmo. Como promover um consumo mais consciente? Como valorizar os benefícios da bebida sem ignorar os potenciais riscos associados ao seu excesso?

Para aprofundar estas questões, lê a entrevista com a nutricionista Joana Martins, que esclarece os principais mitos e verdades sobre o consumo de café e o seu impacto na saúde.

Nutricionista Joana Martins | Fotografia: D.R.

Há pessoas que toleram melhor a cafeína do que outras?

Sim, e essa diferença é mais do que uma perceção. A forma como o organismo metaboliza a cafeína varia de pessoa para pessoa, em grande parte por fatores genéticos. Há quem elimine a cafeína rapidamente e quase não sinta efeitos, e há quem seja mais sensível, com impacto no sono, na ansiedade ou até na frequência cardíaca. A isto somam-se outros fatores, como o uso de contracetivos, certos medicamentos ou o próprio hábito de consumo.

A falta de cafeína pode provocar dores de cabeça?

É bastante comum e, na verdade, é um sinal de que o corpo se habituou à sua presença. A cafeína tem um efeito de contração dos vasos sanguíneos: quando deixa de ser consumida, esses vasos dilatam, o que pode originar dor de cabeça. Podem também surgir sintomas como cansaço, irritabilidade ou dificuldade de concentração. Não é necessariamente preocupante, mas indica dependência fisiológica.

Mesmo quem diz que o café não afeta o sono, está realmente protegido?

Nem sempre. Muitas pessoas acreditam que o café não interfere com o sono porque adormecem sem dificuldade. No entanto, a cafeína pode comprometer a qualidade do descanso de forma mais subtil, reduzindo o sono profundo e aumentando pequenos despertares ao longo da noite. Ou seja, pode não impedir o sono, mas pode torná-lo menos reparador.

Beber grandes quantidades de café ao longo do dia pode ter consequências?

Consumir oito, dez ou mais cafés por dia não é inofensivo, sobretudo a longo prazo. Pode aumentar a ansiedade, causar palpitações, agravar problemas digestivos e comprometer o sono de forma crónica. Em alguns casos, pode também contribuir para alterações na pressão arterial. Além disso, a cafeína pode gerar dependência: o corpo adapta-se, é preciso consumir mais para obter o mesmo efeito e surgem sintomas quando se tenta reduzir. Não é comparável ao tabaco em termos de risco, mas não deixa de ser um padrão de consumo a que devemos estar atentos.

Cápsulas com menor intensidade são uma escolha mais saudável?

Não necessariamente. A intensidade do café refere-se sobretudo ao sabor e à torra, não ao teor de cafeína. Um café mais “forte” no paladar não significa, obrigatoriamente, mais cafeína e o inverso também é verdade. Na prática, esta escolha é maioritariamente uma questão de gosto, não de impacto direto na saúde.

No final, o café pode perfeitamente fazer parte de um estilo de vida equilibrado. A chave está na dose, no timing e, acima de tudo, na consciência de como o nosso corpo reage. Porque, mais do que um hábito automático, o consumo de café deve ser uma escolha informada.

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