Estamos a viver um período conturbado da história, em que os conflitos internacionais parecem multiplicar-se a cada dia que passa, mas, felizmente, as iniciativas pela paz também estão a aumentar e uma das mais recentes está a dar que falar.
Por exemplo, um grupo de monges de um templo budista vietnamita está, neste momento, a fazer uma caminhada pela paz que vai atravessar diferentes estados e cidades dos Estados Unidos. Começou a 26 de outubro, em Fort Worth, Texas, e terminará em Washington D.C..
Quando chegarem ao seu destino vão pedir ao Congresso que reconheça o Vesak — o dia do nascimento e da iluminação do Buda celebrado em maio — como feriado federal. Têm ainda como objetivo promover a "paz, a bondade e a compaixão" nos EUA e no mundo, lê-se no The Guardian.
Espera-se que esta viagem de quase quatro mil quilómetros chegue ao fim em fevereiro. Durante a caminhada o grupo, composto por 18 monges, está a parar na capital de cada estado em que passa, "atraindo multidões", explica o jornal, e pelas redes sociais podemos ver a emoção de quem os saluda na caminhada e de quem deixa mensagens pela Internet. Já chegaram, entretanto, a Carolina do Norte, ou seja, estão a meio do seu percurso.
Este grupo inclui dois monges que estão a seguir seguir "o dhutanga, um conjunto de práticas ensinadas no budismo, o que significa que só podem adotar três posturas durante a caminhada, especificamente caminhar, ficar em pé ou sentar-se, nunca deitar-se, nem mesmo para dormir".
"Eles sentam-se numa posição de meditação e meditam a noite toda. É assim que reabastecem a sua energia", explica Neeraj Bajracharya, o representante do governo e coordenador de imprensa da caminhada, citado no jornal.
Tal como seria de esperar, esta viagem não está a ser fácil para os monges. Bhikkhu Paññākāra, o líder da caminhada está a fazê-la descalço e, apesar de já ter feito algo semelhante na Índia, confessou que as estradas americanas são mais desafiadoras. Tem de fazer curativos diariamente nos pés para tratar ferimentos "causados por pedras, pregos e vidros".
Para além disto, algumas semanas após a partida, "um camião colidiu com o veículo de escolta do grupo, empurrando-o contra dois dos monges, um dos quais perdeu a perna". E, apesar do homem estar "bem", o número de participantes da caminhada foi reduzido para 18.
Aloka, um cão resgatado por Paññākāra na Índia, em 2022, estava a acompanhar os monges, mas devido a uma lesão preexistente na perna foi operado na Carolina do Sul. Conseguiu juntar-se novamente ao grupo, com limitações, em Charlotte na Carolina do Norte dias depois.
Paññākāra explicou que o cão será reintegrado gradualmente, "caminhando cerca de 10 minutos, seis vezes ao dia, enquanto continua a sua recuperação".
É possível acompanhar a caminhada destes monges através do Instagram, numa conta que já tem mais de um milhão de seguidores.
