Tem 27 anos e há sete que só pode ingerir dois alimentos. Conhece a história que tem emocionado milhares
-
Inês Teixeira
- 13 jun, 00:45
Uma condição rara alterou por completo a rotina de Caroline e a forma como se alimenta. Hoje, a sua história está a despertar curiosidade e a emocionar milhares de pessoas.
As redes sociais são uma forma de entretenimento e a verdade é que adoramos navegar por lá para descobrir novos produtos, aprender dicas, conhecer tendências virais ou encontrar inspiração para os nossos looks. Mas também são um espaço onde encontramos histórias capazes de nos fazer olhar para a vida de outra forma.
Foi precisamente isso que aconteceu quando nos cruzámos com um vídeo de Caroline Cray. No vídeo, a jovem norte-americana revelava que, nos últimos sete anos, a única coisa que conseguia consumir era aveia, água e uma fórmula nutricional hipoalergénica desenvolvida especialmente para lhe fornecer os nutrientes necessários para viver com qualidade. Naturalmente, ficámos curiosos e decidimos perceber melhor o que estava por detrás desta realidade tão incomum.
Caroline tem atualmente 27 anos e vive com síndrome de ativação dos mastócitos, uma doença rara conhecida pela sigla MCAS. A condição faz com que o sistema imunitário reaja de forma excessiva e identifique substâncias inofensivas como ameaças, podendo desencadear reações alérgicas graves e até episódios de anafilaxia.
Embora já tivesse algumas alergias desde criança, tudo mudou quando tinha 18 anos. Enquanto estudava numa universidade em Massachusetts, sofreu um episódio de anafilaxia que marcou um ponto de viragem na sua saúde. A partir desse momento, o seu organismo começou gradualmente a rejeitar cada vez mais alimentos.
Durante semanas, os médicos realizaram vários testes para tentar perceber o que conseguia tolerar. Inicialmente, a lista reduziu-se a aveia, ovos, bacon e água. Mais tarde, após uma nova reação grave durante umas férias, a situação agravou-se ainda mais. O seu organismo voltou a reagir de forma extrema e os únicos alimentos que continuaram seguros foram a aveia e a água.
Para evitar problemas nutricionais e a perda excessiva de peso, uma equipa médica desenvolveu uma fórmula hipoalergénica que passou a complementar a sua alimentação e que continua a fazer parte da sua rotina até hoje.
Mas as limitações vão muito além da comida. Caroline não pode estar perto de animais de estimação, penas ou lã e tem de planear praticamente todos os aspetos do seu dia a dia. Até os encontros com amigos exigem preparação. Muitas vezes, as pessoas mais próximas levam roupa lavada e guardada em sacos herméticos para trocar antes de estarem com ela, reduzindo o risco de contacto com potenciais alergénios.
A doença também teve impacto na vida amorosa. Caroline já explicou que qualquer parceiro tem de ter cuidados especiais com a alimentação antes de um beijo, para evitar a exposição a substâncias que possam desencadear reações perigosas. Felizmente, encontrou alguém disposto a adaptar-se à sua realidade e a acompanhá-la neste percurso.
Apesar de todos os desafios, a jovem recusa-se a deixar que a condição defina quem é. Nas redes sociais, onde soma milhares de seguidores, partilha o seu dia a dia, a evolução do seu estado de saúde, receitas criativas feitas com os poucos ingredientes que consegue consumir e várias reflexões sobre a vida com uma doença rara.
Entre bolachas de aveia, panquecas e outras adaptações que foi aprendendo ao longo dos anos, Caroline mostra que é possível encontrar alguma normalidade mesmo nas circunstâncias mais difíceis. Também partilha momentos de lazer, passeios e pequenas vitórias que ajudam a sensibilizar mais pessoas para a realidade de quem vive com doenças invisíveis.
Atualmente, continua a trabalhar com a sua equipa médica para tentar reintroduzir novos alimentos. O processo tem sido longo, complexo e repleto de desafios, já que muitas das tentativas resultam em reações adversas. Ainda assim, Caroline mantém a esperança de que um dia possa voltar a ampliar a sua alimentação.
Até lá, continua a documentar a sua jornada e a mostrar a milhares de pessoas que, mesmo quando a vida muda completamente de rumo, ainda é possível encontrar motivos para sorrir.
RELACIONADOS
Não é mini, não é midi, a saia tendência está aqui e há opções da Prada à Stradivarius
-
Rafaela Simões
- 13 jun, 00:32
