Há mais de um século, a alemã Hansgrohe reinventou o gesto quotidiano de tomar banho ao lançar o primeiro chuveiro de mão. O objeto viria a tornar-se banal nas casas de todo o mundo, mas num tempo em que a funcionalidade já é garantida, a pergunta impõe-se: como continuar a inovar quando se foi pioneiro de algo tão universal?
A resposta parece ganhar forma no The Water Studio by Hansgrohe & AXOR, um espaço que ultrapassa a lógica tradicional de showroom para se afirmar como um verdadeiro ponto de encontro entre arquitetura, design de interiores e tecnologia. Mais do que apresentar produtos, o estúdio convida profissionais do setor a mergulhar num universo onde o design responde a desafios contemporâneos, da eficiência hídrica à personalização do luxo.
Num contexto global marcado pela escassez de recursos e pela urgência de soluções sustentáveis, a Hansgrohe posiciona-se não apenas como herdeira de uma invenção histórica, mas como agente ativo na redefinição do futuro da água em casa. Quem o diz é Carlos Santos, Country Manager Portugal at Hansgrohe, que em entrevista à VERSA aprofunda a visão da marca para os próximos anos.
O chuveiro de mão foi inventado há mais de um século. Como pode a marca manter-se relevante depois de este se ter tornado tão comum no ato de tomar banho?
A relevância constrói-se através da procura proativa e constante de soluções que impactem de forma positiva na forma como os clientes se relacionam com eles. O chuveiro de mão surgiu pela necessidade de melhorar a praticidade do banho, hoje a necessidade dos consumidores move-se por fatores tão diferenciados como design, maior funcionalidade, mas acima de tudo na poupança de recursos hídricos sem que impacte negativamente no conforto. O ADN da Hansgrohe mantem-se fiel e a capacidade inventiva é reconhecida mundialmente e diariamente, através destes mesmos fatores aos quais adicionamos tecnologia de ponta que torna a experiência de banho Hansgrohe em algo verdadeiramente diferenciador.
O primeiro chuveiro de mão democratizou uma experiência de duche mais livre. O que ainda precisa de ser “democratizado” no uso de água em casa?
O que precisa ainda de ser “democratizado” é num primeiro momento, o acesso universal a uma utilização consciente da água e não como um bem adquirido de durabilidade infinita. A eficiência ainda é muitas vezes vista como uma escolha de nicho técnico e algo para o qual é necessário maior investimento e isso não corresponde à verdade. Na Hansgrohe disponibilizamos sistemas de duche que possibilitam eficiência hídrica e energética pelo mesmo valor comercial de uma solução standard, mas também na cozinha onde apresentamos soluções que água filtrada que beneficiam diretamente a saúde do consumidor, mas ao mesmo tempo permitem a eliminação de embalagens plásticas, responsáveis por mais de 50% da poluição marinha.
Numa mundo cada vez mais preocupado com a escassez de água, que soluções estão a apresentar para ajudar a inverter a situação?
Na Hansgrohe, a sustentabilidade representa um pilar estratégico na tomada de decisão e como resultado, o nosso foco está no desenvolvimento continuo de soluções com o objetivo de melhorarmos a performance hídrica. Não poderei deixar de destacar a nossa versatilidade industrial que nos permite adaptar toda a gama de produtos as certificações BREEAM e LEED, a transformação em curso de toda a gama de misturadoras para sistema EcoSmart+ (<4lt/m) de forma standard com a integração de tecnologia CoolStart (abertura em frio com resultado na redução do consumo energético). O constante desenvolvimento de tecnologia de jatos de água permitiu-nos também reduzir o consumo de água, sem penalizar o conforto de um duche de excelência com os novos chuveiros Raindance Alive.
Se pudesse lançar hoje o equivalente ao primeiro chuveiro de mão, ou seja, uma inovação verdadeiramente disruptiva – o que seria?
Encontramo-nos a preparar grandes inovações para os próximos 3 anos e estamos certos de que mudaremos a forma de utilizarmos o momento do banho. O programa “Green Vision beyond Water” apresentado em 2025 no maior certame internacional do sector (ISH Frankfurt) suscitou muita curiosidade pelo facto de demonstrarmos em primeira mão a capacidade de reduzirmos caudais na zona do lavatório para 0,4lt/m em água fria 1,5lt/m em água misturada ou um sistema que trata e reaproveita a água do banho para os autoclismos das sanitas.
Tendo em conta que o banho é um dos momentos mais íntimos do dia, até que ponto a tecnologia (sensores ou digitalização) pode melhorar a experiência sem se tornar intrusiva?
A digitalização do banho merece por parte da Hansgrohe especial atenção, e é inevitável num futuro próximo o aproveitamento dos benefícios da tecnologia quer em conforto, usabilidade e otimização de recursos, porém o setor enfrenta variações de requisitos técnicos e legislação entre os diferentes países, inclusive dentro da comunidade europeia que impossibilitam um desenvolvimento mais rápido na digitalização do banho.
Como é que uma marca associada à água e ao bem-estar consegue transformar um ato quotidiano, como tomar banho, numa verdadeira experiência de luxo?
A definição de luxo pode ser expressa de múltiplas formas e na AXOR Design respondemos a esses diferentes universos. Os fatores distintivos enfocam-se no design internacional através de coleções criteriosamente desenvolvidas por grande referência com Phillipe Starck, Barber & Osgerby, António Citterio ou Phoenix design entre outros, que respondem a diferentes estilos e que definem os padrões de casas de banho de luxo.
O luxo não existe sem conforto e por isso aliamos tecnologia de ponta e engenharia criativa para que cada detalhe resulte numa experiência única e memorável.
Como tendência emergente o nosso enfoque está também capacidade de individualização através das múltiplas possibilidades de cores, materiais nobres com mármore nero marquina, lasa covelano, madeira e couro ou no programa Signature onde desenvolvemos peças únicas e exclusivas para irmos de encontros aos mais elevados critérios de exclusividade.
