Diogo da Casa dos Segredos é "narcisista e manipulador"? Psiquiatra analisa o caso| Fotografia: Instagram, @eva_pais_ss10
Diogo da Casa dos Segredos é "narcisista e manipulador"? Psiquiatra analisa o caso| Fotografia: Instagram, @eva_pais_ss10
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Psiquiatra analisa em detalhe o caso Diogo do Secret Story: "Violência psicológica não depende de diagnóstico formal"

Não se fala de outra coisa nas redes sociais: a relação de Diogo, Eva e Ariana na mais recente edição da Casa dos Segredos. Há quem considere o jovem "narcisista manipulador", mas será mesmo assim? Maria Moreno, médica psiquiatra, esclareceu os conceitos.

Durante as últimas semanas, em Portugal e, na verdade, em muitos outros países, um dos assuntos mais falados tem sido o triângulo amoroso que está a marcar a mais recente edição da Casa dos Segredos, reality show da TVI

Diogo e Eva, os protagonistas desta história, entraram no programa como um casal — e era esse o segredo de ambos. Depois, com o tempo, o jovem de 23 anos começou a aproximar-se de outra concorrente, Ariana

Eventualmente, os concorrentes descobriram o segredo do casal e a relação de Diogo com Eva, assim como a de Diogo com Ariana, começou a ser questionada por todos, incluindo pelo público que não conseguia perceber as atitudes dos três. 

Entretanto, o casal terminou a relação de cinco anos, mas a traição e o triângulo amoroso continuam a ser os temas centrais desta edição do reality show.

Têm sido contadas várias versões da história e depois de algumas conversas em que Diogo mentiu ou omitiu certos factos, criando confusão entre os concorrentes, muitos começaram a acusá-lo de violência psicológica, manipulação e narcisismo. 

Foi, aliás, apresentada uma queixa ao Ministério Público por parte da associação Supera_te que apoia vítimas de violência doméstica. Para a associação, os comportamentos de Diogo, como "a desvalorização consistente das emoções da vítima", "distorção da realidade" e a "chantagem emocional", mostram "indícios de violência psicológica", lê-se no Instagram

Tendo isto em conta, Maria Moreno, médica psiquiatra, assina o texto abaixo, sobre "o verdadeiro narcisista que não aparece como tal". 

Dr.ª Maria Moreno

Quando se fala de violência psicológica, há uma palavra que aparece sempre: manipulação. E, quase automaticamente, outra: narcisismo.

O caso recente do Diogo Maia [concorrente na 10.ª edição da Casa dos Segredos] voltou a trazer para a praça pública estes temas. E, como quase sempre acontece, os comentários multiplicam-se e as conclusões aparecem depressa e parecem óbvias: "É um narcisista manipulador."

Mas — e isto importa — nem toda a manipulação é narcisismo. E nem todo o narcisismo se manifesta de forma óbvia.

Falemos do tema do momento — o narcisismo

O narcisismo, enquanto traço, existe em todos nós. Mas o narcisismo patológico — aquele de que falamos neste contexto — é outra coisa. É um padrão consistente, rígido, marcado por três elementos centrais: uma necessidade constante de validação, uma dificuldade real em reconhecer o outro e uma tendência para usar as relações como forma de regulação.

É aqui (neste ponto) que a manipulação ganha uma função. O outro deixa de ser um companheiro — e passa a ser um regulador emocional. Quando valida, aproxima-se. Quando questiona, afasta-se ou é desvalorizado. Isto cria um padrão muito característico: aproximação intensa seguida de afastamento, valorização seguida de crítica, presença seguida de retirada.

Quando se fala de um narcisista, a maioria das pessoas imaginam algo óbvio. Alguém frio, calculista, claramente com algo "errado", mas, na prática, não é assim. Nem sempre há grandiosidade explícita ou arrogância clara. Há formas mais subtis — mais relacionais. Pessoas que parecem disponíveis, envolvidas, até vulneráveis, mas que, na prática, precisam de controlo emocional — mesmo que disfarçado de cuidado. Isto torna tudo mais difícil de identificar. Porque não parece, à partida, uma relação “má”. Muito menos aparece como má à vista de toda a gente e em horário nobre – isto não é o habitual. Acontece em silêncio e é precisamente isso que as torna difíceis de reconhecer.

A manipulação psicológica não começa com controlo. Começa com ligação.

“Ele, no início, parecia diferente de toda a gente.”, “Era tudo muito intenso e muito bom.”. É assim que o vínculo se forma. Porque quando nos sentimos escolhidos, validados, emocionalmente próximos de alguém, o cérebro liberta dopamina e oxitocina — substâncias associadas ao prazer e à ligação. Criamos rapidamente uma sensação de segurança e significado. É como se o cérebro dissesse: “fica aqui — isto é importante.”

Depois, muda. Não de forma brusca, mas suficiente para criar dúvida. “Comecei a sentir que nunca sabia bem com o que contar"; “Num dia estava tudo bem, no outro não e eu é que acabava sempre a pedir desculpa”. É aqui que entra a manipulação. Pequenas inversões. Distorções subtis. Não é o pior da relação que faz com que ela se mantenha. É o melhor — quando aparece. Momentos de ligação intensa, de proximidade, de validação que surgem de forma irregular. Isto não é aleatório - é aquilo a que chamamos reforço intermitente.

O cérebro fixa-se nesses momentos. E começa a "esperar" que voltem. É o mesmo mecanismo que está por trás do vício no jogo. Não é ganhar sempre que prende. É ganhar às vezes. O cérebro começa a "procurar" o momento bom, a tentar antecipá-lo, a ajustar comportamento para o recuperar. "Se eu fizer melhor, talvez volte a ser como antes"; "Se eu não tivesse reagido assim, não tínhamos discutido". E, sem dar por isso, a pessoa vai-se reorganizando em função do outro.

Aquilo que sentimos ("isto não está bem") entra em conflito com aquilo que acreditamos ("mas ele gosta de mim") e o nosso cérebro tenta resolver o desconforto. E resolve, muitas vezes, contra nós. Minimizando. Justificando. Reinterpretando. "Ele não é sempre assim"; "Se calhar sou eu que sou difícil". Isto não é ingenuidade. É o cérebro a tentar manter a coerência emocional.

O narcisismo patológico, aquele que se associa mais frequentemente a estas dinâmicas, não é comum. Existe — mas é raro. Estima-se que a perturbação de personalidade narcísica afete uma pequena percentagem da população (habitualmente referida como sendo 1 a 2%). Ou seja, a maioria das relações difíceis não envolve um "verdadeiro narcisista". Mas — e isto é importante — muitas podem envolver traços narcísicos, esses, sim, são mais frequentes.

Por isso, quero dizer-vos a pergunta mais útil não é sobre o outro: "Ele é narcisista?" ou "Há manipulação?". É outra: “O que é que esta relação faz, consistentemente, em mim?”. Se a resposta for: confusão, insegurança, dúvida constante, esforço contínuo para não falhar — então há algo importante a ser visto, com ou sem um rótulo e isto talvez seja o mais difícil de aceitar.

Não precisamos de ter a certeza sobre o outro para validar o que sentimos, a violência psicológica não depende de um diagnóstico formal. Depende do impacto que isto tem em nós. E esse — quando existe — já é suficiente para ser levado a sério.

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