Num momento em que o acesso à habitação em Portugal se torna cada vez mais difícil, com preços elevados e oferta limitada, começam a surgir soluções improváveis, mas promissoras. Entre elas, destaca-se o projeto Mykor Insulation, com uma proposta curiosa: materiais derivados de cogumelos para construir casas mais sustentáveis e potencialmente mais acessíveis.
A Mykor foi fundada em 2021 pelas empreendedoras Olivia Page e Valentina Dipietro (destacadas na lista 30 Under 30 da prestigiada Forbes), e é um projeto parcialmente português. Apesar de ter ligações ao Reino Unido e equipa de investigação está baseada em Bristol, tem uma forte presença em Portugal ao possuir uma unidade piloto em Montemor-o-Novo; desenvolver parte da produção no país; e ter operações também em Lisboa.
A ideia da Mykor surgiu da constatação de que a maioria dos materiais tradicionais, como betão, tijolo ou isolamentos sintéticos, apresenta elevados níveis de carbono incorporado, baixa circularidade e até riscos para a saúde humana, pelo que, em substituição, a equipa identificou o potencial do micélio (a estrutura “radicular” dos cogumelos) como alternativa biológica e regenerativa e capaz de reduzir as emissões globais de carbono da indústria da construção.
Como funcionam estas “casas de cogumelos”?
O princípio é simples, mas inovador: o micélio funciona como um “aglomerante natural” que transforma resíduos industriais em materiais sólidos, leves e isolantes.
Deste processo nascem painéis como o MykoFoam ou o MykoSIP, capazes de substituir materiais convencionais na construção. Estes componentes oferecem isolamento térmico e acústico, resistência ao fogo e, ao mesmo tempo, são biodegradáveis e recicláveis.
Além disso, o impacto ambiental é significativamente menor: até menos 60% de emissões de CO₂; menos consumo de água e energia; e reaproveitamento de resíduos que iriam para aterro.
Em alguns casos, estes materiais podem até ser mais baratos do que alternativas sustentáveis tradicionais, tornando-os particularmente interessantes num mercado imobiliário pressionado.
Será a solução para a crise da habitação?
Ainda é cedo para afirmar que as “casas de cogumelos” vão resolver a crise habitacional em Portugal. No entanto, o potencial é evidente: têm materiais mais baratos e abundantes; a construção é mais rápida e modular; têm menor impacto ambiental; e maior eficiência energética.
