Das paredes espessas de pedra nas aldeias às fachadas de azulejo nas cidades, a habitação em Portugal sempre refletiu o tempo em que foi construída. E há um capítulo recente que continua a afetar milhões de pessoas: o das casas erguidas entre as décadas de 1970 e 1990.
Durante as décadas de 1970, 1980 e 1990, Portugal viveu uma transformação social profunda com a migração em massa do meio rural para as cidades, que criou uma necessidade urgente de habitação. “Houve muitas pessoas que passaram das zonas rurais para as grandes cidades. Foi preciso construir rápido e a baixo custo. Portugal sempre foi um país pobre, onde se negligenciou o conforto térmico”, afirma o investigador João Pedro Gouveia, da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e do centro de investigação CENSE, à Renascença.
O resultado? Edifícios com isolamento térmico praticamente inexistente; janelas pouco eficientes; ausência de preocupações com orientação solar; e materiais de baixa qualidade térmica. Na altura, a eficiência energética não era prioridade, nem era regulamentada, o que tem impacto no dia a dia atual.
Cerca de 70% das habitações certificadas apresentam atualmente classes energéticas baixas (C ou inferior), o que significa casas difíceis de aquecer no inverno e, muitas vezes, excessivamente quentes no verão.
Este dado, do Observatório da Energia (ADENE), coloca o país entre os piores da União Europeia no que toca à eficiência energética e não se trata apenas de uma questão de conforto, é também um problema de saúde pública, de pobreza energética e de sustentabilidade.
O futuro? Reabilitar
O futuro da habitação não passa por construir mais, mas por construir melhor e, também, sobre o que já existe. No essencial, é importante fazer a reabilitação de fachadas; melhoria do isolamento térmico; substituição de janelas; e intervenção nas coberturas.
Neste contexto, começam a surgir iniciativas inovadoras. A cooperativa Coopérnico, por exemplo, tem vindo a apostar em modelos de reabilitação focados no conforto térmico dos moradores, procurando corrigir falhas estruturais e melhorar a eficiência energética dos edifícios.
Ora, ao melhorar a eficiência energética dos edifícios, melhora-se também a qualidade de vida das pessoas e reduz-se o consumo energético do país. Mas, para isso, será necessário investimento, políticas públicas eficazes e, sobretudo, consciência de que o problema não é apenas técnico, é social.
Um dos locais onde podes procurar uma casa para reabilitar ou nova e já adaptada ao tempos modernos é no município mais barato para arrendar casa em Portugal: Benavente. Mostramos na galeria de imagens esta vila que está em destaque nas últimas semanas.
