O festival Chefs on Fire tornou-se num ponto de encontro nacional para os fãs de gastronomia. Depois de Lisboa, Foz Coa, Almada, Aveiro e até Madrid, o festival volta a Cascais para a 7.º edição na cidade, que terá lugar no Parque Marechal Carmona, que acolhe o evento entre os dias 20 e 21 de setembro.
São vários os Chefs que vão estar reunidos, entre eles o Chef do Rossio Gastrobar, João Correia, Óscar Geadas do G Pousada, Nuno Castro do Fava Tonka, Sara Soares do Caos – o Futuro é Vegetal, José Neves do Ciclo, assim como Kiko Martins d' O Talho e Ana Moura do Lamelas.
A VERSA falou com dois dos Chefs do evento, Kiko Martins e Ana Moura, para saber como se estão a preparar para o festival em que tudo é feito no fogo. Comecemos por esse desafio.
"Cozinhar só com fogo é sempre um desafio para quem está habituado a trabalhar uma cozinha, mas esses desafios são bons para nos tirar da zona de conforto e criar um prato que se se adapte ao contexto que estamos. Fogo e mar", refere Ana Moura.
O prato que vai apresentar é peixe porco grelhado com a sua própria pele, corações de alface e pimentos assados, no qual está espelhada a sua identidade. "A minha identidade é muito baseada em sabores do Alentejo litoral onde temos o peixe e toda a leveza dos legumes que acompanham sem tirar o protagonismo ao peixe que é a estrela do prato".
Já o Chef Kiko Martins irá apresentar uma sanduíche vietnamita, uma bánh mì, mas com a sua interpretação. "Uso barriga de porco Bísaro, um paté de fígado de aves com brandy, pickles de pepino e cenoura, um creme ligeiramente picante e muitas ervas aromáticas – coentros, manjericão e hortelã. Tudo isto servido num pão de massa-mãe, grelhado. Este prato mostra bem a magia da cozinha vietnamita, essa loucura de sabores – a gordura, o fresco, o ácido, o picante – todos juntos. Mas, ao mesmo tempo, valoriza um produto incrível que temos em Portugal: o porco Bísaro.”
E para trabalhar cada um destes alimentos no fogo é preciso perícia e, também, alguns cuidados.
“O meu maior segredo é garantir que consigo movimentar facilmente o que estou a cozinhar no fogo, para cima ou para baixo. Muitas vezes os ingredientes libertam gordura, e essa gordura pode provocar chamas que queimam rapidamente a comida – e isso é exatamente o que não queremos. Por isso, procuro sempre ter uma estrutura que me permita ajustar a altura, ou então algo móvel que possa controlar facilmente. Esse jogo de distância é fundamental para cozinhar bem no fogo", afirma Kiko Martins.
O fogo pode ser difícil de trabalhar, mas é algo a que o Chef d' O Talho está habituado desde que era pequeno. “Cozinhar no fogo foi talvez uma das primeiras técnicas que aprendi. No Brasil, o churrasco faz parte da identidade cultural, e desde pequeno ajudava os meus irmãos sempre que havia um churrasco em casa. Foi aí que percebi que o fogo exige concentração e carinho. É uma técnica que vive de contrastes: ou algo muito rápido, na grelha intensa, ou algo lento, numa grelha baixa, sempre acompanhado daquele fumo característico que dá personalidade à comida. Mas, acima de tudo, o maior desafio do fogo é a consistência – conseguir que, prato após prato, a experiência seja sempre tão boa como a primeira", refere.
A cada edição esperam-se centenas de pessoas, o que é outro dos desafios dos Chefs, que têm de ser ágeis sem perder qualidade. No entanto, o festival vai muito além disso. Inclui música, degustações vínicas e troca de experiências, entre público e os próprios Chefs.
"Este ano, por exemplo, não conheço todos os chefs que estarão presentes no meu dia, mas tenho a certeza de que no final conhecerei. E esse convívio permite-nos partilhar conhecimento e sabedoria. É por isso que sinto que este festival traduz bem aquela frase de que a vida é uma escola em que somos, ao mesmo tempo, mestres e alunos", refere o Chef Kiko Martins.
Já Ana Moura refere que o evento é uma oportunidade para "troca de experiências". "Estarmos com os nossos pares e perceber que cada um de nós acrescenta alguma coisa ao conjunto", remata.
O Chefs on Fire já realizou 14 edições, entre festivais e pop-ups, e Cascais recebe a 7.º edição já nos dias 20 e 21 de setembro. Mostramos na galeria de imagens uma amostra do que é possível viver no evento. Os bilhetes estão disponíveis no site do Chefs on Fire.
