Matthieu Blazy estreou-se como diretor criativo da Chanel — depois de substituir Virginie Viard, a sucessora de Karl Lagerfeld e seu braço direito — em outubro de 2025. Desde aí que tem surpreendido com as suas criações que nos levam a uma nova era da maison.
Mesmo que ainda não tenha assinado muitas coleções, conseguimos perceber que o designer está a encarar o novo cargo com uma abordagem contida que respeita os códigos históricos da casa, mas, ao mesmo tempo, os atualiza com uma leitura contemporânea dos materiais, mas também das proporções e da funcionalidade.
Para a sua primeira coleção de Alta-Costura, o criador transformou o Grand Palais, em Paris, o local onde acontecem quase todos os desfiles da Chanel, numa espécie de país das maravilhas, com cogumelos gigantes e salgueiros. Tudo em tons de cor-de-rosa.
Esta fantasia refletiu-se na coleção e, apesar as peças de roupa serem, sem dúvida, as protagonistas, não conseguimos parar de pensar nas carteiras. Porquê? São a representação perfeita daquilo que o designer quer fazer na Chanel, unem um modelo clássico, a icónica carteira flap da maison, com um material que raramente vemos neste tipo de acessórios, uma organza translúcida.
É uma abordagem pouco convencional, especialmente numa casa como Chanel, conhecida por usar materiais como couro e tweed. Estas malas surgiram como objetos quase etéreos e funcionaram mais como extensões do vestuário do que como acessórios autónomos.
Para além disso, o designer escolheu tons claros e alças metálicas finas, características que reforçaram a ideia de uma Alta-Costura marcada pela delicadeza e por uma interpretação mais conceptual dos códigos da casa.
Mas, afinal, não somos os únicos interessados nesta carteira, o criador de conteúdos responsável pela conta @ideservecouture teve a oportunidade de ver de perto uma das carteiras usadas no desfile e, como seria de esperar, achou-a muito "leve".
Também revelou o que está escrito na nota que acompanha cada uma das carteiras. É uma pergunta: "Uma vez que se concorda que os olhos são o espelho da alma, por que não admitir que a boca é a intérprete do coração?"
