Coco Chanel comprava camisas para o amor da sua vida nesta loja e, 100 anos depois, começou a fazer parte da história da sua marca
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Margarida Ribeiro
- 20 ago, 16:18
Recentemente, a Chanel decidiu comprar a marca mais antiga de camisas do mundo, a Charvet. Foi uma decisão de amor? Ou por amor à moda?
Chavert: a marca com quase 200 anos que foi comprada pela Chanel
A coleção Alta-Costura da Chanel é uma história contada em cada detalhe
Para além das marcas de luxo mais conhecidas, existem muitas outras com tanto ou mais savoir-faire e com centenas de anos de história, como a Charvet. Nasceu em 1838 e, recentemente, a marca de camisas — a mais antiga do mundo, com loja numa das zonas mais icónicas de Paris — foi comprada pela Chanel.
Conhecida pela arte da camisa e da alfaiataria, mas também da gravata, ainda antes de ser comprada pela maison, a marca criou três camisas para a coleção de estreia de Matthieu Blazy como diretor criativo, em outubro do ano passado.
Mas a relação entre as duas marcas não começou agora. De acordo com a Women's Wear Daily, a fundadora, Gabrielle "Coco" Chanel, comprava camisas da Charvet para o seu amante, Arthur "Boy" Capel, considerado o grande amor da vida da vida da designer.
Parece que a relação entre Chanel e Capel não foi a única história de amor a motivar este negócio...
Qual o verdadeiro casamento do ano? É o Chanel com a Charvet...
Blazy parece ter sido o grande responsável que ao colaborar com a marca criou uma ligação com Anne-Marie e Jean-Claude Colban, os irmãos que eram responsáveis pela Charvet, marca que foi adquirida pelo pai de ambos nos anos 60.
Decidiram, então, "casar" as marcas, afirma Bruno Pavlovsky, o presidente da divisão de moda e presidente da Chanel SAS, ao WWD. "Fazia sentido que o futuro da Charvet fosse assegurado pela Chanel", confirma.
De certa forma, este "casamento" também surgiu como uma maneira de preservar a marca, a sua história e garantir a sua continuidade com tudo o que a torna especial. No total, a Charvet emprega cerca de 40 pessoas na sua loja na Place Vendôme, em Paris, e outras 60 na sua oficina de produção em Saint-Gaultier, no centro de França.
Jean-Claude Colban considera que "esta relação se desenvolveu de forma bastante natural, marcada por trocas abertas, colaborativas e enraizadas em valores comuns: a transmissão do savoir-faire, assim como respeito pelo artesanato e a atenção meticulosa à qualidade até ao mais ínfimo pormenor".
Negócio fechado: o cargo de presidente da Charvet passa a ser de Pavlovsky e a marca integra, assim, um grupo de empresas detidas pela Chanel, como Eres e Orlebar Brown, marcas de fatos de banho; a especialista em caxemira Barrie; a marca de chapéus Maison Michel; o ourives Goossens e várias quintas vinícolas.
Para além disto, a Chanel também comprou o edifício de seis andares na Place Vendôme, reforçando a sua presença histórica nesta praça do século XVIII, um local especial para a maison e que inspirou os frascos de perfume emblemáticos da Chanel.
Foi nessa mesma praça que Coco Chanel viveu, ao longo de mais de três décadas, no Hotel Ritz, o que só mostra que a ligação entre as duas marcas tem séculos e, de certa forma, estava destinada.
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