Marilyn Monroe e o perfume No. 5 Chanel
Marilyn Monroe e o perfume No. 5 Chanel |
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Porque continuamos obcecados pela Chanel? É assim tão hot?

O mais recente Lyst Index, divulgado esta terça-feira, dia 6, volta a colocar Chanel como a marca mais desejada do mundo pelo segundo trimestre consecutivo. Mas a verdadeira notícia talvez não seja essa. Afinal, por que razão, mais de um século depois da sua fundação, a Chanel continua hot?

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rankings que dizem mais sobre quem os lidera do que sobre quem os levou até lá.

Segundo o Lyst Index, que analisa o comportamento de compra e pesquisa de milhões de consumidores em todo o mundo, a Chanel voltou a ocupar o primeiro lugar entre as marcas mais desejadas, seguida por Miu Miu, Dior, Saint Laurent e Gucci. Mas reduzir este resultado a um simples ranking seria ignorar aquilo que ele realmente revela: o desejo em torno da Chanel tornou-se quase independente das tendências.

Poucas marcas conseguiram transformar produtos em símbolos culturais como a Chanel. A carteira Classic Flap, o casaco de tweed, os slingbacks ou o perfume Nº5 deixaram há muito de ser apenas objetos luxuosos. São referências reconhecidas por várias gerações, independentemente de seguirem ou não o universo do luxo.

Há também uma questão de escassez. A Chanel continua a ser uma das poucas grandes Casas que controla rigorosamente a distribuição, evita o comércio online para muitas das suas categorias mais desejadas e aumenta regularmente os preços de produtos mais icónicos. Em vez de afastar consumidores, esta estratégia reforça precisamente aquilo que o luxo vende desde sempre: exclusividade.

Mas existe uma dimensão mais emocional. A Chanel representa uma ideia de elegância que atravessa épocas. Afinal, quem não conhece esta marca e, até mesmo, o seu ADN? Há uma identidade que permanece reconhecível década após década. Talvez seja essa consistência que continua a seduzir consumidores.

Também não se pode ignorar o peso da cultura pop. Das passadeiras vermelhas às campanhas protagonizadas por algumas das maiores estrelas do mundo, passando pelo mercado de revenda, onde as peças vintage da Chanel continuam entre as mais valorizadas, a marca mantém-se constantemente presente, mesmo quando parece discreta.

O momento atual reforça ainda mais essa curiosidade. Com a expectativa em torno da nova direção criativa e o futuro da maison, a Chanel vive um raro equilíbrio entre tradição e renovação. O passado continua a ser um dos seus maiores ativos, mas o mercado observa atentamente a forma como a marca irá escrever o próximo capítulo.

No fundo, o novo primeiro lugar da Chanel no Lyst Index não diz apenas que continua a ser a marca mais desejada. Diz que, numa indústria obcecada pela próxima grande novidade, poucas Casas conseguiram tornar-se elas mesmas num desejo com peso e resistente ao tempo.

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