Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, o casal de cientistas que conquistou prémios
Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, o casal de cientistas que conquistou prémios | NOVA FCT
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O amor que começou numa sala de aula: quem é o casal de cientistas portugueses que está a fazer história?

Elvira Fortunato e Rodrigo Martins são um casal de cientistas portugueses pioneiros da eletrónica transparente, vencedores de prémios internacionais e estão a criar pontes entre Portugal e Macau.

Portugal e Macau têm uma relação antiga, com mais de 400 anos e, mesmo assim, ainda existem relações para aprofundar. Que o diga Elvira Fortunato e Rodrigo Martins, o casal de cientistas portugueses pioneiros na área da eletrónica transparente que está a fazer história e a unir, ainda mais, os dois países.

Como assim?

Recentemente, Elvira recebeu o Prémio de Amizade do Governo Chinês de 2026, a mais alta condecoração do país para especialistas estrangeiros, um título que foi recebido pelo marido, Rodrigo, no ano passado. Tornaram-se assim o primeiro casal a receber esta distinção.

Tiveram ainda um papel importante na abertura do Laboratório Sino-Português Conjunto de Optoelectrónica, uma parceria entre o i3N da NOVA FCT, onde o casal trabalha, e o Institute of Materials Science and Engineering da Macau University of Science and Technology (MUST).

Mas, apesar das suas conquistas serem interessantes, vale a pena falar da relação e como começou numa sala de aula.

A história de Elvira e Rodrigo

Conheceram-se em outubro de 1983. Elvira era aluna do segundo ano de Engenharia de Materiais na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Lisboa. Rodrigo era um dos seus professores e estava responsável pela disciplina de Materiais Semicondutores, conta o Expresso, num artigo de 2016 sobre a história do casal.

Elvira chamou a sua atenção por ser uma pessoa curiosa, interventiva, com muita atenção a todos os detalhes e por ter sempre perguntas interessantes na ponta da língua. Era uma aluna brilhante e o seu caderno de apontamentos tornou-se famoso na universidade. De acordo com o atual marido, esse caderno "era quase um exame resolvido a 20 valores".

Continuaram a cruzar-se nos anos seguintes e Elvira escolheu Ricardo para ser o seu orientador de doutoramento em Microeletrónica e Optoeletrónica. Foi, aliás, nessa mesma altura que a relação mudou e se tornaram um casal. Corria o ano de 1985. Um ano depois casaram.

E, claro, o casamento foi além do papel e transformou-se numa parceria profissional e científica. Juntos estiveram na origem de alguns dos avanços mais importantes da investigação eletrónica em Portugal.

Por exemplo, em 2004, conseguiram fabricar transístores transparentes à temperatura ambiente. Depois, em 2008, acabaram por dar o salto para a eletrónica em papel, criando os primeiros transístores de papel. Durante os anos vieram as memórias, baterias, antenas e células solares em papel.

Quando falam em trabalhar juntos, confessam que têm estilos diferentes...

Rodrigo descreve Elvira como "uma pessoa muito organizada mas ao mesmo tempo com um espírito científico muito imaginativo, que gosta sempre de coisas fora do convencional, no limite, e acha que é sempre possível encontrar uma solução para tudo".

Considera-a "uma investigadora diferente, única". "Tudo em que ela toca, brilha", acrescenta o cientista.

Já Elvira fala do marido como um investigador expansivo, muito mais emocional que não é capaz de guardar um segredo e está mais aberto a ideias que vêm de fora. Ou seja, complemetam-se da melhor maneira.

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