James Cameron | Fotografia: Chung Sung-Jun, Getty
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A estreia deste filme pode salvar o Cinema… ou ditar o último suspiro da Sétima Arte?

Está quase. Faltam apenas uns dias até percebermos se o Cinema, como o conhecemos, consegue sobreviver após a estreia do filme mais importante dos últimos tempos.

A estreia de Avatar: Fire and Ash — o terceiro capítulo da saga — marcada para 18 de dezembro, já não é apenas sobre efeitos especiais, criaturas bioluminescentes ou a próxima tecnologia revolucionária de James Cameron. A pergunta que ainda poucos têm coragem de formular é outra: será que este filme consegue salvar as bilheteiras… ou estamos prontos para admitir que o cinema, tal como o conhecíamos, acabou?

Hoje, a maior ameaça aos estúdios não é um meteorito, uma pandemia ou a Inteligência Artificial. É a Netflix no sofá. E Cameron, responsável por três dos cinco maiores sucessos da história do cinema, não o esconde. Afirma que o streaming está a “canibalizar” o setor, que filmes de plataforma nem deveriam cheirar a Óscares e que o público desaprendeu o ritual de comprar bilhete, pegar nas pipocas e sentar-se numa sala escura — experiência que, convenhamos, define o propósito da Sétima Arte.

A polémica surge após uma entrevista ao podcast The Town with Matthew Belloni. Questionado sobre a possível venda da Warner Bros. Discovery, Cameron foi direto: “Acho que a Paramount é a melhor escolha. A Netflix seria um desastre. Ted Sarandos [co-CEO da Netflix] já disse publicamente que o cinema está morto.”

E continuou: “O streaming prejudicou realmente o nosso negócio. As pessoas ainda vão ao cinema, mas apenas 75% do que iam nos anos 90.” Uma constatação dura, mas sustentada pela realidade: as bilheteiras globais estão longe dos números pré-pandemia, os custos de produção atingiram máximos históricos e o público dispersou-se por infinitos conteúdos caseiros. Exceções como "Barbenheimer" (Oppenheimer e Barbie) ou Wicked oferecem oxigénio, mas não mudam o panorama — a maioria dos filmes, mesmo de grande estúdio, luta por não ter uma sala vazia.

Quando questionado sobre se os filmes da Netflix deveriam ser elegíveis ao Oscar, Cameron foi ainda mais incisivo: só se alterarem a estratégia e estrearem em 2.000 salas durante um mês. Caso contrário, afirma, “O Oscar não significa nada para mim se não significar cinema.”

É aqui que Avatar deixa de ser apenas a continuação de uma saga e se transforma num teste de sobrevivência. Se Cameron — o homem que arrastou multidões com Titanic e que reinventou o 3D com Avatar — não conseguir trazer as pessoas de volta às salas, quem conseguirá? Ou pior: talvez já ninguém consiga.

O mais fascinante nesta estreia não é a tecnologia, nem a história, nem o hype. É o facto de o terceiro Avatar surgir como o filme destinado a provar que o cinema ainda respira… enquanto à sua volta muitos se perguntam se não está na altura de desligar as máquinas.

Se for um sucesso, Hollywood suspira de alívio. Se falhar, fica a sensação amarga de que, desta vez, nem os maiores fenómenos conseguem salvar as bilheteiras exaustas.

Uma coisa é certa: não vamos ver apenas um filme. Vamos assistir a um veredicto.

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