Descobrimos quais as tendências da medicina estética | Fotografia: Getty, 	George Rose
Descobrimos quais as tendências da medicina estética | Fotografia: Getty, George Rose
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Do tabu à tendência: o que está a mudar na medicina estética?

O mundo da medicina estética está em constante mudança... Quais são as próximas tendências? Perguntámos a André Pereira Lourenço, médico pós-graduado em Medicina Estética e especialista em Medicina Geral e Familiar.

Durante muito tempo, os assuntos relacionados com medicina estética foram tabu, mas, nos dias de hoje, entre as rotinas e trends virais de skincare, os tratamentos estéticos estão a tornar-se uma escolha cada vez mais informada, consciente e, acima de tudo, natural.

Numa altura em que cuidar da imagem já não significa transformar, mas, sim, preservar, melhorar e sentir-se bem na própria pele, cresce também o interesse por abordagens discretas, personalizadas e alinhadas com o ritmo de vida de cada pessoa.

Mas o que está realmente a mudar? Quem são os novos pacientes? E até onde pode ir esta evolução? Para responder a estas e outras questões, a VERSA conversou com André Pereira Lourenço, médico pós-graduado em Medicina Estética e especialista em Medicina Geral e Familiar. 

Dr. André Pereira Lourenço

Durante os últimos anos, a medicina estética deixou de ser um tabu. O que mudou na mentalidade das pessoas?

O que mudou foi, acima de tudo, a forma como a medicina estética passou a ser entendida: hoje é encarada de forma muito mais natural, informada e integrada no autocuidado e no bem-estar.

Existe uma maior abertura para falar sobre temas que, durante muitos anos, eram menos abordados ou até vistos com algum preconceito. Ao mesmo tempo, os pacientes estão hoje mais informados, têm maior literacia estética e procuram soluções que façam sentido para o seu caso, com segurança, acompanhamento médico e resultados equilibrados.

Também se verificou uma mudança muito clara nas expetativas. Se antes a medicina estética era muitas vezes associada à ideia de transformação visível, hoje o que se procura é melhorar, prevenir e manter, respeitando sempre a identidade e a fisionomia de cada pessoa. Esta mudança de mentalidade tem sido determinante para retirar o tema do campo do tabu e colocá-lo num registo mais consciente, transparente e próximo da realidade clínica.

Há um perfil típico do paciente que procura tratamentos estéticos em 2026?

Hoje já não existe propriamente um perfil único ou rígido. O que se observa é uma diversificação crescente do perfil dos pacientes que recorrem à medicina estética.

Por um lado, continua a existir uma faixa etária mais madura, mas também com uma mudança importante de mentalidade, procurando preservar a identidade, cuidar da pele, manter o bem-estar e envelhecer de forma mais harmoniosa, ao invés de simplesmente uma transformação visual. Por outro lado, há também um público mais jovem, que procura sobretudo prevenção e manutenção, em vez de correção.

Verifica-se igualmente uma maior abertura por parte dos homens, que tendem a privilegiar abordagens discretas, funcionais e pouco invasivas.

De forma geral, o paciente de hoje é mais informado, exigente e consciente. Procura resultados naturais, quer perceber o que está a fazer, valoriza a personalização e tende a encarar estes cuidados como parte de uma abordagem mais ampla ao bem-estar e à autoestima, e não apenas como uma questão de aparência.

Quais são os tratamentos mais populares dos dias de hoje? E o que implicam?

Entre os tratamentos que mais se destacam atualmente estão sobretudo as abordagens menos invasivas, com resultados progressivos, naturais e fáceis de integrar no dia-a-dia.

Na área da remodelação corporal, a criolipólise, como o CoolSculpting, continua a afirmar-se como uma das soluções mais procuradas para reduzir a gordura localizada sem recorrer a cirurgia. Trata-se de uma tecnologia que utiliza frio controlado para atuar de forma seletiva sobre as células de gordura, que são depois eliminadas gradualmente pelo organismo. É particularmente procurada por pessoas que mantêm um estilo de vida saudável, mas querem tratar zonas específicas onde a gordura localizada tende a persistir.

Também na tonificação corporal, o EMSCULPT tem ganho destaque, ao recorrer a tecnologia eletromagnética de alta intensidade para induzir contrações musculares profundas, ajudando a fortalecer e tonificar os músculos em zonas como o abdómen ou os glúteos.

Na pele, o laser CO₂ fracionado é uma das tecnologias mais relevantes para melhorar a textura cutânea, pequenas rugas, manchas solares e cicatrizes de acne, através de um processo de renovação da pele e estimulação de colagénio.

Além disso, têm vindo a ganhar expressão tratamentos como o PRP capilar, uma abordagem regenerativa que utiliza fatores de crescimento do próprio paciente para estimular os folículos capilares, e o rejuvenescimento íntimo, que contribui para melhorar a elasticidade, a hidratação e o conforto da zona íntima.

Apesar de serem procedimentos menos invasivos, é importante sublinhar que todos implicam uma avaliação clínica, um diagnóstico adequado e acompanhamento especializado.

Há alguma tendência surpreendente?

Uma das tendências mais interessantes é precisamente o destaque crescente de áreas que, durante muito tempo, estiveram menos presentes na conversa pública, como o rejuvenescimento íntimo e os tratamentos capilares.

No caso do rejuvenescimento íntimo, estamos a falar de uma procura que vai muito além da componente estética. Muitas mulheres procuram este tipo de tratamento por razões ligadas ao conforto, à hidratação, à elasticidade e ao bem-estar, sobretudo em fases como o pós-parto ou a menopausa. Isto mostra que a medicina estética está cada vez mais ligada a uma visão funcional e integrada da saúde.

Também os tratamentos capilares têm ganho visibilidade, à medida que cresce a preocupação com a queda de cabelo e a perda de densidade capilar. O recurso a abordagens regenerativas como o PRP mostra precisamente esta evolução para tratamentos mais personalizados, menos invasivos e mais centrados na estimulação de processos naturais do organismo.

Estamos cada vez mais próximos de substituir procedimentos invasivos por alternativas mais simples? É algo que as pessoas já procuram?

Existe claramente uma procura crescente por alternativas menos invasivas.

Hoje, os pacientes valorizam cada vez mais tratamentos que sejam eficazes, mas que também possam integrar-se facilmente na rotina, sem cirurgia e sem períodos de recuperação longos. É precisamente por esse motivo que os tratamentos não invasivos ou minimamente invasivos têm vindo a ganhar tanta relevância.

Ainda assim, é importante clarificar que não estamos perante uma substituição absoluta. Há situações em que os procedimentos invasivos continuam a ser os mais indicados. O que mudou foi a capacidade de oferecer alternativas mais simples para determinadas indicações, permitindo abordagens mais ajustadas ao perfil, às necessidades e às expetativas de cada paciente.Ou seja, mais do que substituir tudo o que é invasivo, a medicina estética está a alargar as possibilidades e a tornar o plano terapêutico mais personalizado.

Será que vamos chegar a um ponto em que envelhecer naturalmente vai acabar por ser uma escolha rara?

Não creio. Na verdade, tudo indica precisamente o contrário: a naturalidade tornou-se uma exigência cada vez mais central.

Hoje, o objetivo da medicina estética não é alterar a identidade da pessoa nem criar resultados artificiais. O foco está em preservar, prevenir, cuidar e acompanhar o envelhecimento de forma harmoniosa, respeitando sempre a individualidade de cada paciente.

Nesse sentido, envelhecer naturalmente continuará a ser uma escolha totalmente válida. O que acontece é que cada vez mais pessoas procuram fazê-lo com acompanhamento médico e com recurso a tratamentos que permitam manter a qualidade da pele, o conforto, o bem-estar e a confiança, sem perder autenticidade.

A tendência atual não aponta para a negação do envelhecimento, mas sim para uma gestão mais equilibrada e consciente desse processo.

Que tipo de tratamentos vão dominar os próximos 5 anos?

Tudo indica que os próximos anos serão marcados por tratamentos cada vez mais personalizados, menos invasivos e orientados para resultados progressivos e naturais.

Vamos continuar a assistir ao crescimento de tecnologias ligadas à regeneração cutânea, à remodelação corporal, à tonificação muscular e às abordagens regenerativas, mas com a personalização como aspeto central.. A tecnologia continuará a evoluir, com equipamentos cada vez mais precisos e com tempos de recuperação mais reduzidos, mas o verdadeiro diferencial estará na forma como essa tecnologia é aplicada a cada pessoa.

A tendência é caminharmos para uma medicina estética mais inteligente e mais integrada, em que a prevenção, o tratamento e a manutenção fazem parte da mesma jornada de cuidados. Ou seja, a tecnologia será cada vez mais importante, mas será a personalização que definirá o futuro da área.

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