Hoje em dia, com os avanços nas tecnologias, existem cada vez mais técnicas terapêuticas que são capazes de ajudar qualquer um a ser mais saudável mental e fisicamente. Cláudia Vieira partilhou, recentemente, no Instagram, uma fotografia durante uma sessão de biofeedback e chamou a nossa atenção, claro.
Para esclarecer os seguidores, a atriz partilhou uma pequena definição em que descreve o biofeedback como "uma ferramenta terapêutica que fornece informações com finalidade a permitir aos indivíduos desenvolver a capacidade de autorregulação".
Não estávamos familiarizados com este conceito, nem com os seus benefícios, muito menos sobre como funciona. António Hipólito de Aguiar, médico de clínica geral e medicina da longevidade, explicou tudo à VERSA.
O que é o biofeedback? Para que serve? Como funciona?
É uma técnica terapêutica que permite à pessoa tomar consciência de funções do próprio corpo que normalmente são automáticas, como o ritmo cardíaco, a respiração ou a tensão muscular, e aprender a controlá-las de forma voluntária.
Serve sobretudo para ajudar a regular respostas do organismo associadas ao stress, às dores ou às alterações funcionais, estimulando um maior equilíbrio físico e emocional.
Na prática, o biofeedback funciona através da utilização de sensores colocados no corpo, que captam sinais fisiológicos e os traduzem em informação visual ou sonora num ecrã.
Observando esses sinais em tempo real, a pessoa consegue perceber como o seu corpo reage e, com orientação, aprende estratégias para os modificar, como as técnicas de respiração, o relaxamento ou o foco mental.
Que sinais do corpo são monitorizados?
Os sinais do corpo mais frequentemente monitorizados incluem a frequência cardíaca, o padrão respiratório, a tensão muscular (por eletromiografia), a temperatura periférica da pele e, em algumas modalidades mais avançadas, a atividade cerebral (o denominado neurofeedback).
Cada tipo de biofeedback é escolhido consoante o objetivo terapêutico.
Que benefícios principais oferece?
Os principais benefícios incluem a redução do stress e da ansiedade, o melhor controlo da dor (por exemplo, as dores de cabeça ou menstruais), a melhoria do relaxamento muscular, a regulação do sono e o aumento da consciência corporal. Também pode contribuir para melhorar o desempenho em atividades que exigem concentração e controlo emocional.
Em que situações é mais utilizado?
É mais utilizado em situações como perturbações de ansiedade, enxaquecas e dores de cabeça de tensão, insónia, dor crónica, reabilitação neurológica (por exemplo, após um AVC) e algumas disfunções musculares ou do pavimento pélvico. Também tem aplicação em contextos de gestão de stress e melhorias de desempenho intelectual.
Como é uma sessão típica?
Uma sessão típica decorre num ambiente tranquilo, com a pessoa sentada ou deitada confortavelmente. São colocados sensores na pele e o terapeuta acompanha os sinais num monitor, orientando exercícios específicos, como respiração controlada ou relaxamento progressivo. A sessão costuma durar entre 30 e 60 minutos e é geralmente indolor e não invasiva.
Quanto tempo leva a ver resultados?
O tempo necessário para observar resultados varia de pessoa para pessoa e da condição tratada. Algumas pessoas notam melhorias após poucas sessões, mas, de forma geral, são necessárias várias semanas de treino regular para consolidar os efeitos.
Qualquer pessoa pode usar biofeedback?
De um modo geral, o biofeedback pode ser utilizado pela maioria das pessoas, incluindo crianças, sendo considerado uma abordagem segura. No entanto, a sua eficácia depende da motivação, da capacidade de aprendizagem e da adesão ao treino.
Existem riscos ou limitações do biofeedback?
Os riscos são mínimos, uma vez que se trata de uma técnica não invasiva. Ainda assim, apresenta limitações. De facto, nem todas as pessoas respondem da mesma forma e a evidência científica, embora positiva em várias áreas, não é uniforme para todas as indicações. Além disso, requer tempo, prática e acompanhamento especializado.
Isto pode substituir outros tratamentos?
Não substitui outros tratamentos médicos ou psicológicos, sendo habitualmente utilizado como complemento a abordagens convencionais, como medicação, psicoterapia ou fisioterapia.
É considerada uma abordagem interessante pelos especialistas de saúde?
É considerada uma abordagem válida e interessante em contextos específicos, sobretudo quando integrado num plano terapêutico mais abrangente. A sua aceitação tem vindo a crescer, especialmente em áreas como a psicologia clínica, a medicina da dor e a reabilitação, onde existe suporte científico para a sua utilização.
