Alberto criou o Dia Nacional do Cocktail e ensina-te a acertar no pedido
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Rafaela Simões
- 18 mai, 09:41
O Dia Nacional do Cocktail celebra-se a 18 de maio e antecede um grande evento: o Lisbon Bar Show 2026. Nele podes ficar a conhecer ainda melhor este universo, que exploramos nesta entrevista.
Vem aí a 11.º edição do Lisbon Bar Show
No Rossio Gastrobar, o menu serve-se com cocktails e vista para o castelo
Quando pensamos no dia 13 de maio, associamos automaticamente a celebrações religiosas, uma vez que este é o Dia de Nossa Senhora de Fátima em Portugal. Mas é também o Dia Mundial do Cocktail, uma combinação entre fé e álcool que não combina. Por isso, nada como Portugal ter o seu próprio dia para celebrar o universo dos cocktails e a grande data foi escolhida por uma figura inluente no mundo dos cocktails em Portugal, Alberto Pires: 18 de maio.
Para celebrar, regressa então a 11.º edição do Lisbon Bar Show, evento organizado por Alberto, que pretende reunir alguns dos nomes mais relevantes do setor, assim como marcas de referência e, claro, apaixonados por cocktails. O evento vai ocupar a Sala Tejo do MEO Arena, em Lisboa, durante dois dias, a 19 e 20 de maio.
Mas quem não conhece assim tão bem este universo, como pedir o cocktail certo? E por que razão estão os mocktails a ganhar cada vez mais protagonismo? Alberto Pires responde-nos a tudo e ainda desmitifica os maiores mitos sobre estas bebidas.
Tendo criado o Dia Nacional do Cocktail, o que pretende em concreto que se celebre neste dia?
O principal objetivo foi precisamente criar uma data nacional alternativa, uma vez que o Dia Mundial do Cocktail, celebrado a 13 de maio, coincide em Portugal com uma data de forte significado religioso. Sentimos, por isso, a necessidade de criar um momento próprio que permitisse celebrar a cultura do cocktail em Portugal de forma mais relevante e participada.
O Dia Nacional do Cocktail pretende, assim, valorizar os profissionais do setor, a criatividade da mixologia e os produtos nacionais, promovendo também uma maior proximidade do público à cultura de bar e ao cocktail enquanto experiência de partilha, hospitalidade e identidade cultural.
Escolhemos um vinho pelas suas castas, pela região e pelas características sensoriais. Como escolher um cocktail?
A lógica é muito semelhante. Um cocktail deve ser escolhido de acordo com o perfil de sabor que cada pessoa procura, mas também com o momento e o contexto. Há quem prefira algo mais fresco e cítrico, outros sabores mais secos, intensos, aromáticos ou complexos.
O papel do bartender é precisamente interpretar essas preferências e transformá-las numa experiência personalizada. Hoje existe uma preocupação muito maior em explicar ingredientes, técnicas e conceitos, tal como acontece no vinho ou na gastronomia. Também devemos olhar para os ingredientes base, para a sazonalidade e para a identidade do próprio cocktail. Um bom cocktail conta sempre uma história.
O que define um bom cocktail? Há bons cocktails com poucos ingredientes?
Sem dúvida. Muitos dos grandes clássicos mostram exatamente isso. Um bom cocktail não depende da quantidade de ingredientes, mas sim do equilíbrio, da execução e da intenção por detrás da receita. Há cocktails extraordinários com apenas três ingredientes.
O segredo está na harmonia entre acidez, doçura, álcool, textura e aroma. Quando existe equilíbrio, a simplicidade torna-se sofisticação. Por vezes, menos é mais. Acrescentar demasiados elementos pode tirar clareza ao cocktail e afastar-nos daquilo que realmente importa: criar uma experiência memorável.
Quais as tendências nesta área? O que é que as pessoas mais procuram?
Hoje existe uma procura muito maior por autenticidade e experiências mais personalizadas. As pessoas querem perceber o que estão a beber, conhecer os ingredientes e entender a história por detrás do cocktail.
Há também uma forte tendência para a utilização de ingredientes locais, práticas sustentáveis, redução de desperdício e técnicas inspiradas na cozinha contemporânea. Ao mesmo tempo, assistimos a um regresso aos cocktails clássicos, mas reinterpretados de forma atual.
Outra tendência muito clara é o crescimento das opções de baixo teor alcoólico e sem álcool. O consumidor quer ter escolha e procura bebidas mais leves, mas sem abdicar da complexidade e da experiência.
Os mocktails são cada vez mais comuns nas cartas. A ciência de fazer um mocktail é muito diferente de um cocktail com álcool?
É diferente, mas igualmente exigente. O álcool, para além do sabor, traz estrutura, textura e persistência ao cocktail. Quando o retiramos, é necessário reconstruir esse equilíbrio de outras formas. Por isso, um bom mocktail não pode ser apenas “um sumo bonito”. Exige técnica, criatividade e conhecimento de ingredientes, fermentações, infusões, especiarias e texturas para criar profundidade e complexidade.
O crescimento dos mocktails mostra também uma mudança importante nos hábitos de consumo. Atualmente, existe uma procura maior por experiências inclusivas e conscientes, sem que isso comprometa a qualidade.
No seu entender, qual o cocktail clássico que nunca desilude?
Provavelmente um Daiquiri. É um cocktail intemporal que parece ser básico, mas tem de ser bem equilibrado entre amargor, doçura e complexidade aromática.
Mas há vários clássicos que resistem ao tempo precisamente porque são simples e muito bem construídos. Um Martini ou um Old Fashioned bem executado continuam a ser referências absolutas. Os clássicos nunca saem de moda, porque assentam em fundamentos sólidos.
Qual é um dos maiores mitos do universo dos cocktails?
Dos mitos que existem, acho que o principal é pensar que o cocktail pertence apenas ao contexto noturno ou festivo. Hoje, a mixologia está profundamente ligada à gastronomia, à hospitalidade, ao café e à experiência social.
E talvez o maior equívoco seja achar que o bartender apenas “mistura bebidas”. Na realidade, é uma profissão que exige técnica, cultura, sensibilidade e uma enorme capacidade de criar ligação com as pessoas.
Depois, permanece a ideia de que os cocktails são necessariamente caros ou excessivamente sofisticados. Um cocktail pode ser simples, acessível e, ainda assim, muito bem executado.
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