Toni Antolí é colecionador de pacotes de açúcar
Toni Antolí é colecionador de pacotes de açúcar | Fotografia: Unsplash
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Mais de 17 mil exemplares: Toni está prestes a bater um recorde mundial com coleção inesperada

Toni não é único no mundo, mas é certamente um dos colecionadores mais dedicados a um simples objeto do quotidiano. Graças a isso, está prestes a entrar no Livro de Recordes do Guinness.

Há quem colecione obras de arte, relógios de luxo ou carros clássicos. E há quem encontre valor em objetos tão banais que a maioria das pessoas nem lhes presta atenção. Pacotes de açúcar, nas mãos de um colecionador, transformam-se em pequenas cápsulas do tempo, capazes de contar histórias sobre cafés, restaurantes e cidades.

Toni Antolí é um desses guardadores de memórias. Depois de uma vida inteira dedicada à hotelaria, fez da reforma a oportunidade para se dedicar por completo à sua grande paixão: colecionar pacotes de açúcar.

Conforme conta ao jornal espanhol La Vanguardia, atualmente reúne perto de 17 mil exemplares diferentes, uma coleção que ocupa duas divisões da sua casa, cerca de 400 álbuns cuidadosamente organizados e que poderá, em breve, valer-lhe uma entrada no Livro de Recordes do Guinness quando alcançar os 20 mil pacotes de açúcar diferentes.

 

Uma história que começou muito antes dos pacotes de açúcar

Com apenas 7 anos, Toni Antolí já colecionava selos, moedas, pacotes de sal e pimenta, infusões e todo o tipo de pequenas embalagens. Ao longo de cinco décadas a trabalhar na hotelaria, nunca perdeu o hábito de guardar aquilo que a maioria das pessoas deitava fora.

Quando chegou a reforma, passou a dedicar-se quase exclusivamente aos pacotes de açúcar que, à primeira vista, podem parecer iguais. Mas há detalhes que os diferenciam: um simples símbolo de reciclagem acrescentado à embalagem, uma alteração da data de validade, um número diferente numa série ou uma pequena mudança gráfica são suficientes para considerar que se trata de uma nova peça.

A coleção de Toni inclui pacotes provenientes de praticamente todo o mundo, mas existe um país que ocupa um lugar especial: Itália, o paraíso dos colecionadores, origem de mais de mil pacotes de açúcar do colecionador.

Segundo explica ao jornal, as empresas italianas investem muito mais na criação de coleções completas e pensadas para colecionadores. Além das séries distribuídas em cafés e restaurantes, produzem também versões vazias, perfuradas para impedir a sua reutilização, destinadas exclusivamente a quem coleciona.

Existe ainda outro pormenor que aprecia: todos os pacotes têm exatamente o mesmo formato, o que permite criar páginas visualmente perfeitas quando são organizados em álbum.

Em Espanha, pelo contrário, a tarefa é muito mais complicada. Como os desenhos pertencem aos estabelecimentos que os encomendam, não existe uma forma simples de reunir uma coleção completa sem visitar os locais onde são distribuídos.

Entre milhares de exemplares de todo o mundo, os pacotes mais exclusivos da coleção são provavelmente aqueles que o próprio Toni mandou fabricar. Sempre que atinge um novo marco – 13 mil, 14 mil, 15 mil, 16 mil ou 17 mil pacotes diferentes – encomenda uma edição comemorativa personalizada com o seu nome.

Inicialmente procurou fazê-lo em Espanha, mas as empresas exigiam uma encomenda mínima de 80 mil unidades por modelo, um número completamente desproporcionado para um colecionador. Acabou por recorrer a uma empresa italiana, que produz apenas 500 exemplares de cada edição.

Longe de os guardar apenas para si, Toni distribui-os gratuitamente em encontros de colecionadores.

Um hobby que envolve algum dinheiro

Apesar de muitos dos pacotes serem obtidos gratuitamente depois de um café, Toni garante que o colecionismo não é uma atividade barata. 

Álbuns, folhas de arquivo, material de conservação, deslocações, trocas, portes de envio e, sobretudo, milhares de horas dedicadas à classificação e documentação representam o verdadeiro investimento.

"O tempo não tem preço. Isto não se faz para ganhar dinheiro, faz-se porque se gosta", resume.

E se há algo que preocupa Toni Antolí é o futuro do colecionismo.

Nas feiras e encontros especializados, a maioria dos participantes já ultrapassou os 60 anos e são cada vez menos os jovens interessados em preservar estas pequenas memórias do quotidiano. Os próprios filhos brincam que, um dia, lhes deixará "um enorme problema" para organizar. Ainda assim, Toni já tem um plano: gostaria que as suas coleções fossem distribuídas entre associações e outros colecionadores, garantindo que décadas de trabalho continuam vivas.

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