Todas as semanas, há um ritual que se repete nas bombas de combustível: olhar para os preços, comparar cêntimos e decidir onde abastecer. A gasolina sobe, desce, volta a subir; o gasóleo acompanha a dança. Contudo, mesmo quem escolhe o posto com preços mais acessíveis, acaba a escolher deliberadamente a opção mais cara, convencido de que está a comprar mais qualidade.
Mas será que pagar mais significa, necessariamente, abastecer melhor?
A ideia de que um combustível mais caro é sinónimo de um combustível superior está profundamente enraizada entre os condutores. É uma associação quase automática. Só que, segundo Mónica Marí, responsável pela estação de serviço Elefante Azul e Autonetoil Sant Antoni, em Ibiza, a realidade é bem mais complexa.
Em entrevista ao jornal La Vanguardia, a profissional desmonta algumas das ideias feitas que continuam a circular entre os automobilistas. Como o preço Vs. qualidade.
"Que uma gasolina seja mais barata não significa que seja pior", explica Marí, defendendo que os chamados combustíveis low cost não têm, por definição, uma qualidade inferior. O combustível é fornecido já com aditivos e, segundo a responsável, podem ainda ser acrescentados aditivos específicos durante as operações de descarga.
Ou seja, o preço que aparece no painel da estação de serviço não conta, por si só, toda a história sobre aquilo que está a entrar no depósito. Porque muitas vezes a diferença no preço está em fatores comerciais e empresariais.
E é aqui que o mito começa a perder força: dois combustíveis que cumprem as especificações exigidas podem chegar ao consumidor com preços diferentes sem que isso signifique que um deles é "bom" e o outro "mau". O problema é que muitos não sabem isso.
"Muitos clientes pensam que a gasolina mais cara tem que ser necessariamente melhor", afirma Mónica Marí.
E quanto à gasolina 98 e 95?
Outro exemplo clássico é a escolha entre gasolina 95 e gasolina 98.
Há condutores que optam pela 98 convencidos de que o motor ficará automaticamente mais potente, mais eficiente ou até mais protegido. Mas a recomendação da profissional é bastante mais simples: seguir aquilo que está indicado pelo fabricante do veículo.
A diferença entre os dois combustíveis está relacionada, entre outros aspetos, com o índice de octanas e com as características para as quais determinados motores foram concebidos. Por isso, a questão não é tanto "qual é a melhor gasolina?", mas antes "qual é a gasolina adequada para este motor?".
Afinal, onde está a verdadeira poupança?
Quando chega a hora de abastecer o carro na bomba, a pergunta mais importante não é necessariamente "qual é o combustível mais caro?". É antes: "qual é o combustível que o fabricante recomenda para o meu carro?"
Mediante a resposta, só tens de comprar preços entre bombas de combustível e não entre opções de combustível.
