Continuamos presos a um modelo de consumo acelerado?
Continuamos presos a um modelo de consumo acelerado? | Getty, Harry Kerr
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Já descartarmos o descartável?

Continuamos presos a um modelo de consumo acelerado? Cláudia Pinto, diretora de comunicação da APICCAPS, assina este artigo de opinião.

Cláudia Pinto
Cláudia Pinto, diretora de comunicação da APICCAPS

Já chegámos ao momento de descartar o que é descartável? Ou continuamos presos a um modelo de consumo acelerado, onde tudo parece ter sido concebido para durar apenas até à próxima tendência?

Durante décadas acreditámos que o futuro da moda passava por produzir mais. Mais depressa. Mais barato. E consumimos nessa mesma lógica, convencidos de que a abundância era sinónimo de progresso.

Mas o contexto mudou. A pressão sobre os recursos naturais, a instabilidade das cadeias de abastecimento, as novas exigências regulatórias e um consumidor cada vez mais informado estão a obrigar a indústria a repensar o seu próprio modelo.

Percebemos, finalmente, que o verdadeiro valor não está na quantidade, mas naquilo que permanece: qualidade, conhecimento, inovação, transparência e identidade.

É por isso que a próxima vantagem competitiva da Europa dificilmente passará por produzir mais peças. Passará por produzir melhor. Produtos concebidos para durar, fabricados de forma responsável e capazes de incorporar tecnologia, criatividade e valor acrescentado. Neste novo paradigma, Portugal ocupa uma posição particularmente relevante…porque reúne aquilo que hoje distingue as indústrias mais resilientes: conhecimento acumulado, capacidade tecnológica, inovação em materiais e processos, sustentabilidade e um saber-fazer que continua a ser um dos seus maiores ativos.

A questão já não é se conseguimos produzir milhões de peças a baixo custo. A questão é saber se faz sentido continuar a fazê-lo.

Mas talvez a verdadeira revolução da moda não seja tecnológica. Talvez seja cultural: voltar a atribuir valor às coisas.

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