Já chegámos ao momento de descartar o que é descartável? Ou continuamos presos a um modelo de consumo acelerado, onde tudo parece ter sido concebido para durar apenas até à próxima tendência?
Durante décadas acreditámos que o futuro da moda passava por produzir mais. Mais depressa. Mais barato. E consumimos nessa mesma lógica, convencidos de que a abundância era sinónimo de progresso.
Mas o contexto mudou. A pressão sobre os recursos naturais, a instabilidade das cadeias de abastecimento, as novas exigências regulatórias e um consumidor cada vez mais informado estão a obrigar a indústria a repensar o seu próprio modelo.
Percebemos, finalmente, que o verdadeiro valor não está na quantidade, mas naquilo que permanece: qualidade, conhecimento, inovação, transparência e identidade.
É por isso que a próxima vantagem competitiva da Europa dificilmente passará por produzir mais peças. Passará por produzir melhor. Produtos concebidos para durar, fabricados de forma responsável e capazes de incorporar tecnologia, criatividade e valor acrescentado. Neste novo paradigma, Portugal ocupa uma posição particularmente relevante…porque reúne aquilo que hoje distingue as indústrias mais resilientes: conhecimento acumulado, capacidade tecnológica, inovação em materiais e processos, sustentabilidade e um saber-fazer que continua a ser um dos seus maiores ativos.
A questão já não é se conseguimos produzir milhões de peças a baixo custo. A questão é saber se faz sentido continuar a fazê-lo.
Mas talvez a verdadeira revolução da moda não seja tecnológica. Talvez seja cultural: voltar a atribuir valor às coisas.
