O verão é sinónimo de festivais e nem todos se dedicam apenas à música. São cada vez mais os festivais ligados à gastronomia e um deles já vai na 7ª edição. Falamos do Festival da Comida do Continente, que por mais um ano volta ao Parque da Cidade, no Porto, de 12 a 13 de julho, celebrando a música e a gastronomia e ainda os 40 anos da marca Continente.
A festa faz-se com nomes de peso, tanto no palco, como atrás do balcão. Dia 12 as estrelas são Virgul, Bárbara Bandeira e MC Kevinho e dia 13 os sobem ao palco Continente os artistas Matias Damásio, Mariza, Tony Carreira e Deejay Kamala. Já na cozinha, brilham nomes como Marlene Vieira, Chakall e Óscar Geadas.
A oferta é variada, mas na essência está, para artistas e Chefs, a cultura portuguesa e essa tanto se faz a ouvir, como a comer.
A VERSA falou com Mariza e o Chef Óscar Geadas para conhecer melhor os gostos gastronómicos e perceber o que podemos esperar deles na nova edição do Festival da Comida do Continente.
"A comida tem esse poder de nos ligar ao que é humano"
Mariza é fado, mas também é comida portuguesa, não guardasse ela uma memória especial de um dos pratos que melhor nos define.
"O caldo verde. Talvez porque o provei pela primeira vez num jantar simples, em casa de amigos, onde se partilhavam gargalhadas, pão, histórias de vida. A comida tem esse poder de nos ligar ao que é humano. E, sendo eu moçambicana, aprendi a reconhecer nos sabores portugueses uma segunda casa e esse prato, em particular, lembra-me a beleza da simplicidade", conta à VERSA.
Falando de música, o que também leva Mariza ao Festival da Comida do Continente é a particularidade do momento. "É bonito. É inesperado. E é verdadeiro. Cantar num palco onde o público está com a alma aberta, entre aromas, sabores, risos e famílias… é como voltar ao início. À essência do canto: contar histórias. E senti-las com quem as ouve. Será um privilégio".
Mariza assume que "levar o fado a espaços onde se celebra a gastronomia é como servir Portugal em duas formas diferentes a música e a mesa", aproximando gerações, culturas e geografias.
E por falar em gastronomia, se pudesse juntar-se à cozinha do festival, com que Chef gostaria de cozinhar e que prato desejava provar? "Escolheria um prato que juntasse as minhas duas raízes: Moçambique e Portugal. Talvez um caril feito com um toque português e cozinharia com primeira mulher a ganhar uma estrela Michelin em Portugal, a Chef Marlene Vieira. Já sei que volta a estar presente no festival este ano com um prato de caril de polvo, camarão e cevadinha. É alguém que demonstra alma viajante nos seus pratos. Para mim, comida também é identidade", remata a fadista portuguesa.
Croquete de Alheira e Porco: a inspiração do Chef Óscar Geadas
Um nome, vários títulos: Chef Revelação em 2018 pela revista Vinhos, Chef detentor de uma Estrela Michelin pelo G Restaurante em 2019, que é também Garfo de Ouro desde 2016, e Chef à frente do Família Geadas – Contradição GastroBar distinguido com a condecoração Bib Gourmand em 2025.
O Chef Óscar Geadas é, como se vê, uma referência no panorama nacional, com vários restaurantes premiados. Mas agora é a vez de levar as suas criações até ao Festival da Comida do Continente, neste caso, com um Croquete de Alheira e Porco com Saladinha de Castanha, Maçã e Lentilhas.
"O que me inspirou nesta criação foi pegar na base alimentar do animal, neste caso o porco bísaro, que se alimenta de castanha e maçã, fazendo da carne do porco Bísaro uma carne especial devido aos aromas da castanha e ao açúcar da maçã conferindo-lhe um sabor diferenciado das outras carnes de porco", revela à VERSA.
Poderia dizer-se que esta proposta vai aproximar o público do festival da alta cozinha, mas Óscar Geadas tem outro entendimento sobre o que é isto da alta cozinha. "Alta cozinha é quando o comensal prova e conseguimos mexer com emoções e sentimentos, é quando levamos a pessoa a relembrar sabores da infância, sabores de um prato de alguém muito querido, sabores de um prato de um momento especial. Para mim, como cozinheiro, o que me deixa mais feliz é quando um comensal me diz que estes sabores lhe fazem lembrar… Para mim, é um objetivo concretizado: mexi com os sentimentos de alguém", refere.
No fundo, diz, "a gastronomia é para todo aquele que se deleita com a arte de comer" e é precisamente sobre isso o Festival da Comida do Continente, uma oportunidade para se provarem novos e autênticos sabores, harmonizados com música portuguesa.
"O Continente tem vindo, ao longo dos anos, a preservar os sabores tradicionais da cozinha portuguesa com o clube de produtores que vai de Norte, Sul e Ilhas em que tenta não deixar perder sabores de outros tempos. Exemplo disso é o Festival da Comida Continente que tem, desde chefs reconhecidos, aos produtores do Clube Produtores Continente a servirem iguarias de cozinha e sabores portugueses", diz ainda o Chef.
