Daniela Melchior fotografada por Ricardo Santos
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Daniela Melchior: “Quanto mais trabalhar, mais palco tenho para falar sobre estes temas”

A atriz portuguesa é o rosto da mais recente campanha institucional da EDP e fizemos deste o pretexto para pôr a conversa em dia com Daniela Melchior sobre sustentabilidade.

“Não passas um único dia sem teres impacto no mundo. Os teus atos fazem a diferença e tu precisas de decidir que tipo de diferença queres fazer.” Estas palavras são de Jane Goodall, uma das mais reconhecidas e respeitadas ativistas das últimas décadas, e deveriam ser um mote universal para cada ser humano refletir sobre os seus atos diários.

Daniela Melchior parece levar o mote de Jane Goodall à risca. A sustentabilidade é um tema que gosta e explora. Coloca em prática a política dos 3 R (Reduzir, Reutilizar, Reciclar) e procura sempre saber mais através das suas pesquisas. Não admira que Melchior tenha sido a escolhida para ser o rosto da campanha We Choose Earth – Nós Escolhemos a Terra, da EDP, uma campanha que é, sobretudo, um compromisso ambicioso de ser até 2030 uma empresa 100% verde.

A Versa conversou com Daniela Melchior sobre sustentabilidade, um tema tão importante como a recente confirmação da atriz em Guardiões da Galáxia Vol.3.

Daniela, comecemos por esta campanha. De que forma é que faz sentido para ti dar voz e corpo a um projeto como este?

Quem me conhece, quem conhece o meu trabalho ou quem me segue nas redes sociais sabe que eu gosto de usar a minha voz, o following que eu vou ganhando através do meu trabalho, para causas que para mim são importantes. Com tudo aquilo que se tem passado no mundo, acabamos por ir falando de outros temas muito importantes, mas a parte da sustentabilidade tem ficado um pouco esquecida. Para mim, receber este convite deixou-me muito surpreendida, não só por este compromisso que a EDP acabou de pôr em cima da mesa para com o planeta, mas também está na altura de mostrar que não se esqueceram da sustentabilidade, que estão aqui e que estão de mangas arregaçadas para fazer a diferença.

Daniela Melchior na campanha We Choose Earth – Nós Escolhemos a Terra da EDP

Para que a tua pegada ecológica seja o mais verde possível, o que é que fazes?

Na escola em que andei desde a minha infância esse tema sempre foi muito importante. Toda a coisa de poupar água, a política dos 3 R (reduzir, reutilizar, reciclar) sempre tiveram muito presentes desde muito jovem. Mais recentemente, a mudança comportamental que fiz foi experimentar ser vegan, estou há um mês e estou bem (risos). Não me falta energia, não me falta nada. Mas, de resto, lá está, é nas pequenas coisas, que não interessa a nossa profissão ou camada social em que estamos. É com os pequenos gestos, no nosso dia a dia, que podemos fazer toda a diferença.

E na moda também és preocupada com a sustentabilidade?

Não vou mentir, quando era mais nova e não percebia nada do assunto, comprava fast fashion. Mas, ao mesmo tempo, até as marcas de luxo, e já tenho visto comentários, nem sempre a produção ou os empregos que criam são muito justos. Acho que ainda estamos numa fase em que é bom haver essa preocupação, mas temos de pesquisar muito sobre o assunto. Em relação à moda, acho que o mais sustentável que tenho feito - e tenho mesmo feito e gosto disso - é de facto comprar vintage, comprar em segunda mão, que acho que é a opção mais sustentável e a mais acessível a todas as carteiras. E é ótimo ter peças de roupa que sei que mais ninguém vai ter.

"Este caminho para ser 100% sustentável é, talvez, um caminho que nunca vai terminar."

E quais são os sítios onde costumas fazer essas compras?

Conheço e costumo ir a várias lojas aqui em Portugal. Gosto muito da Outra Face da Lua, Às de espadas. Também gosto muito de quando estou a viajar, em trabalho ou em lazer, pesquisar as lojas vintage dessa zona porque assim sei que não vai haver nada parecido ou igual em mais lado nenhum. Mas não tenho lojas favoritas, eu gosto mesmo de explorar.

Nesta tua jornada da sustentabilidade o que é que achas que te falta fazer para seres ainda mais sustentável?

Acho que este caminho para ser 100% sustentável é, talvez, um caminho que nunca vai terminar, porque vamos descobrir que há mais a fazer e mais atitudes diferentes a ter. Posso dizer que o meu carro não é elétrico, portanto nisso posso vir a fazer uma grande diferença, não tenho painéis solares em casa, ainda, também quero muito pesquisar sobre isso e perceber se faz mesmo uma grande diferença. Acho que estes dois pontos podem vir a ser um tema na minha vida.

"Tenho a esperança de que as pessoas percebam que as pequenas coisas, no nosso dia a dia, fazem uma grande diferença."

O facto do teu trabalho te levar a viajar muito achas que se torna mais fácil ou mais difícil continuares esta jornada?

Por um lado, quanto mais trabalhar e mais público for tendo, mais palco tenho para falar sobre estes temas. Isso das viagens é verdade, mas há pouco tempo também aprendi que é possível que quando compramos uma viagem de avião, ou mesmo no próprio avião, há a opção de viajar em 0%, de carbono, ou seja compensas e pagas por essa percentagem, por esse carbono, que estás a gastar ao viajar.

Nestas tuas pesquisas e para quem não acredita que a sustentabilidade pode salvar o planeta, quais são os filmes, os documentários, os livros ou até os podcasts que recomendas?

Qualquer documentário sobre o tema ou até mesmo sobre a alimentação mostra muito essa urgência. Acho que não há melhor prova de que a sustentabilidade é importante do que as catástrofes naturais que têm acontecido nos últimos tempos: cheias no Brasil, por exemplo, nós [Portugal] próprios tivemos uma seca super injustificada e agora, do nada, chove, acordamos e o céu está cinzento e, de repente, o céu abre. Todas estas coisas que não se justificam são por causa das alterações climáticas e acho que não há maior prova do que isso. As pessoas vão-se apercebendo que alguma coisa não está bem com o nosso planeta, mas ainda não há essa curiosidade universal de "ok, vou pesquisar por que é que estas coisas estão a acontecer." Mas tenho a esperança de que as pessoas percebam que as pequenas coisas, no nosso dia a dia, fazem uma grande diferença.

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