Max Mara
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A Max Mara encantou os jardins da Gulbenkian

É a primeira vez que Lisboa recebe um desfile de moda internacional. Estivemos na primeira fila a ver cada pormenor e a bater palmas ao poder feminino.

A par das coleções que as semanas de moda desfilam nas principais capitais da indústria, as coleções resort começam a ganhar cada vez mais atenções. E não é só porque aumenta o número de pessoas muito ricas no mundo, ricas o suficiente para comprarem um guarda-roupa para levar de férias, mas porque os desfiles resort normalmente escolhem lugares novos para brilhar.

E assim Lisboa recebe a Max Mara. Portugal já foi palco de inúmeros editoriais de moda, mas nunca tinha recebido um desfile internacional. Por isso, não foi de estranhar encontrar nos jardins da Gulbenkian um número muito pequeno e selecionado de convidados, onde reconhecemos a actriz Claire Danes e o seu marido, o actor Hugh Dancy, o designer português, estabelecido em França, Felipe Oliveira Baptista, o director da revista Purple, Olivier Zahm.

Como já sabíamos, a colecção foi inspirada em Natália Correia, Ian Griffiths, director criativo da marca, contara-nos que quando procurava uma personalidade, mais propriamente uma mulher poderosa, da sociedade portuguesa, não pestanejou quando se cruzou, na Colecção Gulbenkian, com o retrato da escritora e poetisa assinado por Nikias Skapinakis. Ficou fascinado por ela, comprou todos os seus livros que conseguiu encontrar em Lisboa, e desenhou esta coleção.

Por isso, nunca se viram tantos vestidos num desfile Max Mara, nem tanta cor rica e profunda, assim como decotes um pouco mais ousados, e um pouco de pele. Natália Correia era uma mulher sensual, arrebatadora, fleumática até, por isso os novos vestidos Max Mara – que alternaram entre formas mais justas e torneadas e grandes rodas de tecido soltas – ocupam uma sala.

O fundador da Max Mara era um feminista convicto, Achille Maramotti, mesmo que tenha fundado a sua marca nos anos 50, a década que tanto pregou a dona de casa do pós-guerra, e mesmo sendo ele italiano, de um país do sul da Europa, mais católica e conservadora. Este seu visionarismo de ideias, foi o mesmo que o fez querer abrir um negócio que desenha roupa que permanece e se herda depois, uma qualidade de grande clássico made in Italy que passa de mãe para filha.

A ideia de Griffiths também foi homenagear a grande canção da Lisboa antiga, o fado. E, à falta de Amália, convidou Carminho a desfilar e a embalar com um fado as modelos nos largos degraus dos jardins da Gulbenkian. 

Os convidados receberam um lenço dos namorados, com o seu nome bordado, como convite para este desfile que se intitula Vai Lenço Feliz.

Além do desfile, a Max Mara vai apoiar a renovação das galerias de arte francesa do século XVIII do museu Gulbenkian, que inclui uma coleção de pintura, escultura e livros, mas também mobiliário, tapeçaria, e objetos decorativos. E estabeleceu uma parceria com os alunos do curso de design de moda da Faculdade de Arquitetura de Lisboa, para estes desenvolverem uma ideia para uma coleção resort. Ou não fosse Eduarda Abbondanza, diretora do curso e também da Moda Lisboa, a semana de moda portuguesa mais antiga, também ela uma aluna de Milão.

Assim, o jovem designer mais criativo ganha um contrato de seis meses na sede da marca, em Reggio Emilia, em Itália, e terá a sorte de trabalhar com o talentoso, e encantador, Ian Griffiths.

No lindíssimo jantar que a marca ofereceu, depois do desfile, aos seus convidados, junto ao grande lago dos jardins da Gulbenkian, Griffiths, que ficou na mesa ao lado, confessou-nos estar absolutamente encantado com este seu encontro com a velha Lisboa, e pelo tanto que ela o inspirou.

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