Kim Kardashian e Demna Gvasalia no MET Gala
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Vestir fato treino no MET Gala e ter bom gosto? Sim, se for o Demna Gvasalia. Confuso?

É oficial e tema na Internet: em matéria de moda, o bom ou mau gosto é coisa do passado. Mas terá futuro?

É daqueles temas recorrentes e sempre foi uma espécie de adjetivação em matéria de moda. Seja em conversas informais entre amigos, seja em plena semana de moda, todos temos uma opinião sobre a forma como alguém se veste ou sobre a coleção que acabamos de ver. E quase sempre traduzida no clássico “ter bom ou mau gosto”. Podíamos trazer para aqui uma longa reflexão sobre o sentido mais filosófico da estética, mas o que hoje se discute na Internet e que se aponta como tendência, é que isso de ter bom ou mau gosto a vestir já não existe. E a razão é simples e só uma: o bom gosto depende não da peça que se escolhe, mas sim de quem a veste. E Demna Gvasalia, diretor criativo da Balenciaga e um dos mais influentes designers da atualidade, pode vestir um fato de treino no MET Gala, simplesmente porque é Demna. Se fosse eu… provavelmente diriam que era só mau gosto!

Numa era em que os media tradicionais perdem terreno e cresce a influência das redes sociais, o que tenho visto em alguns artigos internacionais é a interrogação sobre quem hoje tem o poder de considerar o que é bom ou mau gosto. Uma definição que sempre foi subjetiva e até por vezes controversa. Em entrevista ao site britânico 'Stylist', Fiona Harkin, futurista do The Future Laboratory, esclarece:

A moda foi impulsionada por um sistema de topo para baixo, com acesso a tendências vindas de líderes de opinião e de um grupo de elite que frequentava as passerelles — desfiles que foram isolados do restante público. O mundo digital trouxe a democratização, não só da informação, mas da criatividade. Agora, o sistema de moda fraturou-se.”

E na discussão sobre o que se gosta ou não na atualidade, há até quem afirme que quanto mais ridícula for a moda, melhor. Ao mesmo site, Hanan Besovic do @ideservecouture acrescenta:

"A Balenciaga está a ser considerada uma experiência social porque decifrou o código sobre como se manter relevante” — referindo-se a lançamentos recentes, como a mala Lays ou a Trash.

Saindo do território se é ou não ridículo (voltaríamos à adjetivação à volta da moda), a verdade é que com o crescimento da influência das redes sociais (e dos seus influencers), estamos menos fechados no tradicional “gosto”. Estamos coletivamente mais defensores de que valemos mais do que o nosso corpo ou o nosso saldo bancário.

Isto leva-nos a dizer que se perspetiva talvez um futuro mais livre de padrões e hierarquias de “gosto”. A discussão está pelo menos lançada na Internet. Mas há sempre o outro lado: um bom exemplo de fandom e do culto pelas celebridades são os memes "é feio até Rihanna decidir que não é"… ou seja, voltamos ao início deste texto, que o gosto é definido por quem veste o quê.

 

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