Luís Buchinho ModaLisboa
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Tendências ModaLisboa: CORE é a uma interpretação livre. Tal como a moda

Há quem veja muitas meias brancas e bolsos nos desfiles, há quem traga clichés de coach motivacional. A VERSA está na Lisbon Fashion Week e vê outras tantas modas.

Talvez sinal dos tempos, ou do tempo em que vivemos. Não terá sido fácil para a ModaLisboa chegar ao tema desta edição: CORE (o que nos parece óbvio é por vezes tão difícil…). Sem querer conceptualizar a palavra, a ModaLisboa quer antes que esta se defina ao vivo, por todos os que fazem e passam pela Lisbon Fashion Week. De forma livre. De forma plural. Que seja um núcleo. Uma construção. Quem sabe, CORE aponte caminhos futuros.

Com os primeiros desfiles, sente-se a “esquizofrenia” desses tais dias em que vivemos. Do mundo em que vivemos. E esta indústria que acontece, e que continua a ser uma das que mais inspira (e melhor interpreta o mundo), mostra-se, mais uma vez, na sua interpretação livre, criativa, com o melhor do design nacional. Sabemos que tendência é aquela palavra, por vezes, controVERSA entre os designers. Há mesmo quem nos atire “não sigo tendências”. Mas permitam-nos também ter direito a uma interpretação livre de moda. E, neste caso, com tendências. E uma dessas tendências – se assim se pode classificar, é a forma como vemos desfilar Tecnologia, Futurismo e Artes Tradicionais. Por vezes, até juntas.

No Sangue Novo, o designer Cal Pfungst trouxe um moderno carro telecomandado, num desfile em que os acessórios marcaram também o tom futurista da coleção outono/inverno 23’24. Já Luís Buchinho juntou à pureza minimal dos anos 90, revisitada aos dias de hoje, estampados e materiais técnicos numa viagem digital e psicadélica. “A coleção também faz um pouco contraponto com aquilo que se está a passar em termos de Inteligência Artificial. Na criação dos estampados, procurei uma alusão notoriamente digital, feitos em computador, sem mão humana. Quis criar esse contraponto, mas com uma silhueta dinâmica e extremamente feminina e humanizada”, explica o designer à VERSA sobre a coleção outono/inverno 23’24. Teremos também visto ainda apontamentos de moda protetora (conceito que nasceu no pós-pandemia e que também vimos em outros designers) ou são apenas peças para o frio da estação? E vimos conforto e alguma praticidade na coleção de Luís Buchinho, por exemplo, nos sapatos e botas que facilmente conjuga com vestidos. 

“Future Starts Now” foi precisamente o tema da apresentação dos seis recém-licenciados em Design de Moda do Istituto Europeo di Design (IED), convidado desta edição da ModaLisboa. Coleções cápsula com visões pessoais, mas filtradas pelas mudanças que a pandemia impôs à vida de cada indivíduo. No centro de cada projeto que desfilou está sempre o indivíduo: a roupa é acrescentada, acompanha as pessoas e veste-as, mas o foco é sempre o seu ser interior. Coleções que são um convite para abrandar e seguir a passagem natural do tempo que uma produção sustentável exige.

O Futuro é aqui sinónimo de sustentabilidade, muitas vezes sem género, de moda protetora, interpretado em peças que sugerem traumas ou situações de dor extrema numa coleção que cria ligações através de várias contaminações, ou peças que investigam o ideal de perfeição no futuro, quase num paralelismo entre moda e cirurgia. “Vivemos um momento muito importante na moda e acredito muito nas novas gerações, porque estão prontas para mudar as regras. Têm muita paixão e os instrumentos para, passo a passo, começarem algo novo nesta indústria” explica à VERSA Olivia Spinelli, Coordenadora e Diretora Criativa do IED Moda Milano.

Sobre o desfile que trouxeram à Lisbon Fashion Week acrescenta: “Vimos estéticas diferentes, peças muito bem executadas, com materiais de boa qualidade e peças que se podem usar por muitos anos. Novas versões de streetwear e criações com diferentes layers que permitem que as peças possam ser usadas em diferentes estações."

“Onde é que já vi isto?” questionámo-nos todos no desfile da Buzina. E essa é precisamente e propositadamente a coleção que Vera Fernandes trouxe a esta edição da ModaLisboa. Por uma questão de Futuro mais sustentável, “usei padrões e tecidos que me acompanham desde o início”, explicou-nos, mas também por considerar que CORE é a sua identidade.

Ainda nesse desfile, a marca resgatou as células genéticas que a acompanham desde o início e acrescentou-lhes uma dose extra de experiência, humor e um grande “que se lixe” que só chega com a maturidade. Há cores estridentes, o desvirtuar de tecidos nobres como o mikado, a transformação do conceito de minissaia numa peça de vestuário tufada e volumosa, o regresso do padrão de girafas criado para a coleção Breath; e as modelos calçam as socas do folclore tradicional português. “Fiz um déjà-vu para os tempos de hoje”, explica-nos a fundadora da marca. Se dizem que a cópia é a melhor forma de elogio, então e a autocópia?

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