Max Mara, arquivo
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A Max Mara é muito mais do que um casaco camel, é um negócio familiar com história

A Versa viajou até Reggio Emilia, cidade onde nasceu a Max Mara, para conhecer a história de um negócio familiar que está a conquistar o mundo desde 1951.

Sou a favor de bons investimentos. Talvez não o tipo de investimentos que estão a habituados. Não invisto na bolsa, nem em criptomoedas, nem em casas e muito menos em start ups – talvez o devesse fazer, mas não é o momento. Os investimentos de que vos falo são peças de roupa icónicas, aquelas que resistem ao teste do tempo.  E quando o assunto é resistir ao tempo, é claro que Max Mara é um nome obrigatório. Por isso mesmo, foi com um grande sorriso na cara que aceitei o convite para voar até Reggio Emillia e ficar a conhecer por dentro a Max Mara.

A fundação da Max Mara leva-nos até 1951. Itália estava arruinada pela Segunda Guerra Mundial, mas, ainda assim, um jovem empresário de 24 anos de seu nome Achille Maramotti, decidiu fundar a Max Mara com um objetivo muito inovador em mente: a Max Mara iria ser uma marca de roupa com peças intemporais de qualidade, que se baseiam nas necessidades e não nas tendências, e que tivessem a elegância da Alta-Costura francesa a preços acessíveis. Sete décadas depois a Max Mara continua a ser tudo isto, só com uma grande diferença: a marca não se restringe mais a Itália, é uma marca global que vemos em todo o lado.

E agora que todos ficamos esclarecidos sobre o nascimento da Max Mara, voltemos à viagem em si. Chegar a Reggio Emillia é chegar a uma típica cidade italiana, daquelas que vemos nos filmes. As ruas são pitorescas e os tons terra pintam a cidade de cima abaixo, um sonho para quem é fã de filmes italianos.

No plano desta viagem estava incluído uma visita à fábrica da Max Mara, quer dizer a uma das. Mais especificamente a fábrica que confeciona os ultra-desejados casacos: o icónico 101801, o Teddy Bear, o Manuela. “Mas é só mais um casaco.” Não é só mais um casaco, é um ícone de Moda, que está na mesma linha da Birkin da Hermès, da 2.55 da Chanel, da Kate Moss, da Naomi Campbell e de Cindy Crawford. É um daqueles investimentos que todos precisamos de fazer na vida, nem que seja uma única vez.

A silhueta é suavemente oversized, a construção de mangas é semelhante a um quimono, e fecho de duplo peito, cuja combinação permite que a peça de vestuário se drapeie e se movimente livremente quer seja apertada ou deixada aberta. A combinação destes elementos permite também o uso de uma variedade de peças de vestuário por baixo do casaco, desde um vestido de seda até um fato. Depois temos a mistura de tecido de lã e caxemira para o equilíbrio certo de calor, durabilidade e suavidade. É um casaco feito à mão em Itália para um padrão exigente de material e qualidade de produção.

Depois de visitar a fábrica, seguimos para o arquivo da marca. Mas não é um arquivo qualquer. Espalhados por três andares de uma antiga fábrica de armazenamento, o arquivo e a biblioteca que a Laura Lusuardi supervisiona abrangem mais de 20.000 peças das coleções Max Mara, 8.000 peças de vestuário e acessórios de várias outras marcas, 6.000 livros de referência e cerca de 40.000 revistas, algumas datadas dos anos 20. Para quem gosta de moda, este é um verdadeiro parque de diversões. Aqui estão guardadas peças originais de Coco Chanel, que a própria usou, há peças do guarda-roupa de Carine Roitfeld e de Franca Sozzani e muitas outras personalidades emblemáticas da indústria da Moda.

A viagem termina com uma visita à coleção privada da família Maramotti. Um complexo gigantesco, que na verdade foi a primeira sede da Max Mara, rodeado por um jardim lindíssimo. Collezione Maramotti é um extraordinário museu privado de arte contemporânea, mostrando o gosto visionário de Maramotti. Por lá estão peças de Cy Twomblys a Gerhard Richters e Julian Schnabels.

Foi na Biblioteca da Collezione Maramotti que me sentei à conversa com Maria Giulia Maramotti, neta de Achille Maramoti. Maria Giulia é o futuro da Max Mara e isso acarreta uma responsabilidade gigante. Atualmente é diretora global de vendas da área de retalho da Max Mara, mas no futuro poderá assumir o controlo da marca.

Na nossa conversa falamos sobre o passado, o presente e até o futuro da Max Mara, passamos ainda pelos locais favoritos de Maria Giulia em Lisboa. Esta é uma conversa que vais poder ler, em muito breve, na tua Versa.

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