A 13 de junho, assinalou-se o Dia Mundial do Ritmo Cardíaco (Pulse Day), uma iniciativa que pretende alertar para duas das maiores ameaças relacionadas com as arritmias cardíacas: a fibrilhação auricular e a morte súbita. Apesar dos enormes progressos da medicina, estas doenças continuam a ser responsáveis por milhares de casos de incapacidade e de morte prematura, muitas vezes em pessoas que desconheciam estar em risco.
A fibrilhação auricular é a arritmia mais frequente e afeta cerca de 2 a 4% da população adulta, ultrapassando os 10% entre os idosos. Constitui uma das principais causas de acidente vascular cerebral (AVC), mas tem uma particularidade que a torna especialmente perigosa: em muitos casos não provoca sintomas e pode permanecer silenciosa durante anos. Por isso, a deteção precoce é fundamental. Os primeiros passos do rastreio são simples: aprender a palpar o pulso e realizar um eletrocardiograma (ECG), um exame rápido, acessível e de enorme valor clínico. Nunca dispusemos de tantas e tão eficazes opções terapêuticas para tratar a fibrilhação auricular. Diagnosticar cedo e tratar atempadamente pode fazer toda a diferença.
A outra grande prioridade é a prevenção da morte súbita cardíaca, uma tragédia que continua a atingir inesperadamente pessoas de todas as idades, roubando anos de vida e deixando famílias devastadas. Em muitos casos, existem sinais de alerta e doenças hereditárias que podem ser identificadas antes de ocorrer uma catástrofe. Algumas destas doenças arritmogénicas são facilmente detetáveis através de um simples ECG. Identificar quem está em risco permite instituir medidas preventivas capazes de salvar vidas.
Por isso, quando lhe é pedido um eletrocardiograma para a emissão de um atestado médico destinado à prática de exercício físico ou no âmbito da Medicina do Trabalho, encare esse exame como muito mais do que uma formalidade burocrática. Trata-se de uma oportunidade valiosa de rastreio, um investimento da comunidade na prevenção de doenças potencialmente fatais. Aproveite-o e não deixe de esclarecer eventuais dúvidas com o seu médico.
Finalmente, há uma forma de cada cidadão poder contribuir diretamente para salvar vidas: aprender suporte básico de vida. Uma paragem cardíaca pode acontecer em qualquer lugar e a qualquer momento. Saber reconhecer a situação e iniciar manobras simples enquanto se aguarda pela chegada dos serviços de emergência pode ser decisivo. Porque, perante uma emergência cardíaca, os primeiros minutos contam — e qualquer pessoa pode fazer a diferença.
