Dior emocionou Paris com o adeus a uma costureira que passou 43 anos nos bastidores
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Margarida Ribeiro
- 14 jul, 13:39
Jonathan Anderson continua a escrever a história da Dior e o mais recente capítulo aconteceu na Semana da Alta-Costura de Paris. No Museu Rodin ficamos a conhecer uma nova coleção cheia de referências ao passado, com olhar no futuro e uma homenagem a quem tanto deu à maison francesa.
A nova coleção de Alta-Costura da Dior com assinatura de Jonathan Anderson
8 tendências Semana Alta-Costura de Paris
Em Paris, o Grand Palais pertence ao universo da Chanel, mas, na outra margem do Rio Sena, a Dior faz história, ano após ano, no Museu Rodin. Jonathan Anderson, o atual diretor criativo da maison, não quebrou a tradição, regressando ao museu durante a Semana da Alta-Costura para apresentar uma nova coleção cheia de referências ao passado, com olhar no futuro e uma homenagem a quem tanto deu a esta Casa.
Podemos começar pelo fim: as despedidas. Este desfile da Dior serve para ditar as tendências da próxima estação, mas também como o palco perfeito para a despedida de Madame Nadège que trabalhou durante 43 anos como costureira e assistente de alfaiate no ateliê da maison.
Nadège foi celebrada com uma salva de palmas e muita emoção nos bastidores deste desfile. Trabalhou em 86 coleções da maison e, com a última, recebeu uma merecida homenagem do designer irlandês que deu o seu nome ao último bar jacket — um modelo de casaco icónico da marca criado pelo próprio Christian Dior em 1947 — que ajudou a criar.
Mas, como não poderia deixar de ser, o casaco não foi a única referência interessante neste desfile da Dior...
Moda e arte
Podemos dizer que Jonathan tem pequenas obsessões e quando um tema, uma obra de arte ou um artista o cativa, a próxima coleção terá, com toda a certeza, uma referência... ou várias. Para esta coleção, regressou ao arquivo Lynda Benglis, escultora norte-americana.
Nesta coleção, as clutches, por exemplo, não são apenas mais um acessório, mas uma obra de arte transformada em objeto de desejo. Todas são feitas em porcelana de Limoges, um material produzido na cidade francesa com o mesmo nome, e pintadas à mão com motivos florais representando duas paisagens por onde a artista passou ao longo da sua carreira: Santa Fé, no Novo México, Estados Unidos; e Ahmedabad, na Índia.
Para além disto, o designer decidiu transformar, literalmente, alguns trabalhos da artista em peças de roupa, utilizando as experiências de Benglis com materiais como cera de abelha, látex, porcelana ou leques como ponto de partida para os seus designs.
Mas as referências não ficam por aqui... Jonathan transformou uma fotografia da artista num print holográfico, ao estilo de uma miragem, aplicado num vestido de contas. Como seria de esperar não estamos a falar de uma imagem banal da artista — Jonathan não deixa nada ao acaso. É, na realidade, uma fotografia da artista que causou alvoroço quando foi publicada em 1974 num anúncio da revista Artforum. Porquê? Lynda aparece nua, apenas com óculos de sol brancos e a segurar um dildo entre as coxas, explica a Women's Wear Daily.
Jonathan considera a artista de 84 anos um "génio", com uma forma singular de "encarar a forma" e que esteve sempre na vanguarda. "Só nos últimos 10 anos é que as pessoas começaram a perceber o que ela tinha feito", confessou o designer ao meio de comunicação.
Olhar para a nova coleção da Dior acaba por ser como uma ida ao museu em que as peças de roupa, o calçado e os acessórios são as obras de arte. Podes começar a tua visita na galeria de imagens...
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