La Leopolda
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Leopolda, a mais bela rainha da Côte Azur

Os bailes que ditavam a entrada no jet set internacional!

Trinta e quatro anos de distância nos separam do mais épico baile da Côte Azur. Na verdade, trataram-se de dois bailes e não um. É que a lista de convidados era tal, que os anfitriões se viram obrigados a festejar a abertura da nova mansão em dose dupla. A propriedade em causa é a famosa Villa Leopolda, atualmente um dos dez real state residenciais mais caros do mundo; e os hosts, os internacionais e bilionários, Lily e Edmond Safra que conseguiam, com esta festa, o seu definitivo ponto de entrada no jet set internacional. A lista de convidados era tão exclusiva que logo esta se tornou a festa mais aguardada da temporada. A Villa, recentemente restaurada e redecorada, estava ainda mais requintada do que na origem, quando pertencia ao rei Leopoldo II da Bélgica, que a mandou construir. Só na renovação do seu quarto, consta que Lily terá investido o equivalente a dois milhões de dólares, sem contar com a mobília comprada num leilão da Sotheby’s.  Imaginem o resto...

Também para a organização dos bailes os anfitriões não olharam a custos. Da Holanda importaram um número incontável de flores; da Califórnia, mandaram vir Sérgio Mendes e a sua banda; já a decoração teve como inspiração “Pompeia”.

A 6 de Agosto de 1988 aconteceu o primeiro baile, o mais concorrido dos dois. O famoso costureiro italiano Valentino chegou à costa de Villefranche sur Mer no seu iate de 152 pés, juntamente com o seu sócio Giancarlo Giammetti. Mas não foi o único: também a família Niarchos se apresentou no seu mega-iate, o famoso Atlantis II, equipado com o helicóptero que os levou até à corniche onde se encontra a Villa Leopolda. De Karl Lagerfeld a Barbara Walters, Betsy Bloomingdale e Christina Onassis, passando por inúmeros outros bilionários da época, bem como diversos membros da realeza europeia, como os Grimaldi, a princesa Firyal da Jordânia, a condessa Isabelle d’Ornano (considerada uma das mulheres mais elegantes da Europa) e Amyn Aga Khan ninguém quis perder o baile do ano. Os seguranças eram tantos, que praticamente concorriam com o número de convidados.

Muitas festas sensacionais aconteceram na Côte Azur depois desta, mas nenhuma guarda a mesma aura. Com a morte de Lily Safra, aos 84 anos, há pouco mais de duas semanas, o mundo do bom gosto e sofisticação ficou mais pobre, mas o seu legado continuará a ser lembrado. Tal como a Villa Leopolda continuará a deslumbrar aqueles que por ela passam. Quem lá ficou hospedado mais de uma semana comenta que nunca se repetiu um serviço de pratos, tamanha era a coleção de porcelanas que existia na casa.

Hoje a mansão, avaliada em 653 milhões de Euros, pertence a uma companhia de seguros, depois de Lily Safra a ter vendido após a morte do marido. Mas não se pense que a venda desta propriedade aconteceu sem uma polémica. Pelo contrário... Ser proprietário desta mansão sempre foi o desejo de muitos bilionários que, ao longo dos anos, abordaram Lily Safra nesse sentido. Correram rumores de que Bill Gates a terá tentado comprar, tal como o nosso “conterrâneo” Roman Abramovich, mas os negócios não avançaram. A Villa Leopolda, à época considerada o real state residencial mais caro do mundo, quase passou para as mãos do russo Mikhail Prokhorov, disposto a pagar 500 milhões de dólares por ela. No Verão de 2008, o oligarca fez um depósito de 10% para garantir o negócio, mas em Fevereiro do ano seguinte quis voltar atrás depois de ter perdido uma avultada soma de dinheiro nos negócios. Lily, que já tinha retirado as suas coisas da casa, detestou ser prejudicada pelo rei do Níquel, e recusou devolver-lhe o sinal. Em vez disso, pegou no 55 milhões de dólares do sinal e distribuiu-os por inúmeras associações de caridade, tentando encorajar outros bilionários a seguirem o seu exemplo.

Se quiserem conhecer a Villa Leopolda pelo olhar do famoso realizador Alfred Hitchcock, procurem o seu filme, To Catch a Thief, de 1955, protagonizado por Grace Kelly e Cary Grant, que usou a propriedade como set de filmagem.

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