O creme Halibut, desenvolvido há 87 anos, é um creme que tem passado de geração em geração, mas a questão que se coloca é: será que ainda é o melhor para a nossa pele?
A fórmula foi criada para cicatrizar e proteger a pele, especialmente em caso de assaduras, feridas ligeiras e irritações, e é particularmente usada na muda de fraldas dos bebés. No entanto, há alguns anos foi proibido o uso deste creme em escolas, uma ação que levantou, e ainda levanta, muitas questões.
Afinal, o creme Halibut continua a ser recomendado por especialistas? Ainda é benéfico para a pele de crianças e adultos?
A VERSA colocou todas as questões ao dermatologista Diogo Pereira Forjaz, Diretor Clínico das Clínica Forjaz, em Lisboa, Sintra e Algarve.
O creme Halibut foi criado em 1939 como pomada cicatrizante e protetora da pele, especialmente para tratar assaduras, feridas ligeiras e irritações. Ainda tem hoje em dia o mesmo uso?
O creme Halibut mantém a função para a qual foi originalmente desenvolvido em 1939. Este creme tem como objetivo proteger e reparar de forma eficaz a barreira cutânea. A sua principal ação consiste na formação de uma película protetora na pele, reduzindo a perda de água e protegendo-a assim contra as agressões externas. Atualmente, continua a ser utilizado sobretudo em situações clínicas como irritações cutâneas ligeiras (em termos médicos chamada dermatite de contacto irritativa) e em determinadas pequenas lesões superficiais da pele. No entanto, atualmente existem alternativas mais específicas, com fórmulas mais avançadas e com uma melhor adaptação a diferentes tipos de pele.
Associamos o Halibut aos rabinhos dos bebés; no entanto, há uns anos foi proibido o uso em escolas. Ainda é seguro usar nos bebés? Qual a melhor alternativa?
O creme Halibut é considerado seguro no período da infância, sobretudo na prevenção e no tratamento das irritações provenientes da utilização contínua das fraldas nos bebés. A sua limitação em ambiente escolar não está relacionada com riscos diretos para a saúde, mas sim com questões regulamentares, ligadas à aplicação de tratamentos tópicos com ação terapêutica sem prescrição ou autorização médica. Atualmente, muitos dermatologistas optam por cremes formulados especificamente para bebés, que proporcionem uma proteção eficaz e com melhor tolerabilidade quando aplicado regularmente na pele. Cremes que contenham óxido de zinco, pantenol, glicerina, ceramidas ou ingredientes calmantes oferecem, normalmente, uma abordagem mais equilibrada na barreira cutânea.
A fórmula atual do Halibut é adequada para todos os tipos de pele ou apenas para situações específicas?
O creme Halibut não foi concebido para uma utilização transversal nem para cuidados diários de rotina. Trata-se de uma formulação com uma ação fortemente oclusiva, indicado sobretudo para situações pontuais, como: pele irritada, pele muito seca ou gretada em áreas corporais sujeitas a fricção, humidade ou agressão constante. Em pele normal, mista ou oleosa, a sua aplicação regular e contínua não é recomendado, pois interfere com o equilíbrio natural da barreira da pele.
Existem riscos de usar Halibut no rosto, especialmente em pele oleosa ou com tendência acneica?
Claro. A aplicação do creme Halibut no rosto, sobretudo em peles oleosas ou com tendência acneica, deve ser completamente evitada. A textura densa e oclusiva deste creme pode obstruir os poros, favorecer o aparecimento de comedões, agravar a acne, desencadear outros tipos de inflamações da pele (como por exemplo, dermatite perioral) e provocar diversas irritações cutâneas. Por esse motivo, não deverá ser utilizado numa rotina diária como hidratante facial. O creme Halibut é indicado para ser utilizado de uma forma pontual por períodos curtos, em pequenas fissuras ou áreas corporais localizadas muito ressecadas.
Comparado com cremes modernos, o Halibut continua a ser uma boa opção em termos de ingredientes e benefícios dermatológicos?
O creme Halibut continua a ser eficaz dentro da sua indicação clássica, apresentando uma formulação simples quando comparada com os outros cremes atuais. Nalgumas situações dermatológicas recomendam-se outros tipos de produtos tópicos, que reforcem a barreira cutânea de forma mais fisiológica. Nomeadamente, ceramidas e fatores hidratantes naturais são benéficos para uma maior absorção e conforto cosmético adaptados às necessidades individuais de cada caso clínico.
Em que situações clínicas recomendaria Halibut hoje?
Atualmente, o creme Halibut pode ser recomendado sobretudo em situações clínicas de dermatite da fralda ligeira a moderada, irritações cutâneas por fricção (coxas, axilas, pregas), pequenas fissuras ou erosões superficiais e proteção temporária da pele exposta a humidade ou em situações de agressão mecânica. A utilização deste creme deverá ser pontual, orientada e localizada. O aconselhamento deste tipo de formulações tópicos que visam proteger, reparar e cicatrizar a barreira protetora da pele deve ter em conta a idade, o tipo de pele, o contexto clínico e a duração dos sintomas, sendo sempre aconselhável procurar orientação médica quando existem dúvidas ou persistência das lesões.
