Flor de Carmim
Flor de Carmim | Fotografia: D.R.
Design e Artes

Quer ser a marca de enxoval para os portugueses e as peças prometem valorizar

Os artesãos da Flor de Carmim não têm pressa em fazer, porque não há prazo que comprometa o feito à mão. Cada peça é especial e concebida para durar, como explica à VERSA Filipa de Castro Feijó.

Flor de Carmim: a marca portuguesa de peças feitas à mão que tem vida longa

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Em Portugal, existe uma antiga tradição de as famílias prepararem o enxoval antes do casamento dos mais jovens. Inclui desde lençóis a loiças e, sempre que possível, peças com a mais alta qualidade com o objetivo de passarem de geração em geração.

"Esta jarra era da minha mãe" ou "este prato era o mesmo onde comia a minha avó" são frases que ainda hoje se ouvem, porque dentro de casa são muitos aqueles que guardam memórias de família – uma prática que não se quer perder.

Nem se vai perder, porque não só as grandes casas portuguesas de louça e decoração se adaptaram aos novos tempos, como os novos tempos trouxeram outras ao mercado.

É o caso da Flor de Carmim, uma nova casa de design cultural portuguesa que cruza porcelana, linho, prata e antiguidades, sempre com uma premissa: criar peças para serem usadas, apreciadas e, um dia quem sabe, passadas a outra geração.

Por detrás da marca está Filipa de Castro Feijó, 53 anos, formada em International Management e com cerca de três décadas de experiência no retalho, entre Portugal e várias capitais europeias, em empresas como a Sonae, a Parfois e a Primark. Agora, esse percurso encontra uma expressão mais pessoal numa marca que procura reinterpretar o património e o saber-fazer português sem se prender ao passado. Tudo é produzido em Portugal, com trabalho manual ou acabamentos à mão, mas pensado desde o início também para um público internacional.

A VERSA falou com Filipa de Castro Feijó, que nos dá a conhecer o conceito e até o que anda a preparar a Flor de Carmim para os próximos tempos.

Qual é o conceito da Flor de Carmim?

A Flor de Carmim é uma casa de design cultural portuguesa. Reunimos porcelana da mais alta qualidade e com acabamentos manuais, linhos pintados e linhos bordados à mão, pratas, fragrâncias para casa e antiguidades, objetos de design pensados para a mesa e para a casa. Tudo é feito à mão ou com acabamento manual em Portugal, mas desenhado para o mundo. Não nos interessa a acumulação; interessa-nos a peça certa, feita com tempo, para ser vivida todos os dias e guardada durante gerações.

Em Portugal, algumas marcas de porcelana atravessaram gerações. A Flor de Carmim pretende assumir esse papel e fazer parte do enxoval moderno?

Tenho o maior respeito por essas casas, pois são parte da nossa memória coletiva. A Flor de Carmim não quer imitar esse legado, quer continuá-lo à sua maneira. Fazemos peças pensadas para durar, para serem escolhidas com intenção e depois transmitidas. Se o enxoval moderno for isso, objetos que ganham valor com o uso e com a história de quem os viveu, então sim, é exatamente aí que queremos estar.

Porquê a inspiração nas flores?

Começa no próprio nome. A flor é linguagem, é delicada: fala de estação, de cuidado, de beleza que não se impõe mas se cultiva. E o carmim é a cor e a força que escolhemos para essa intensidade contida. As flores dão-nos um vocabulário visual que atravessa as coleções sem nunca se repetir, e cada uma conta a sua parte da história.

Cada peça é uma edição limitada ou feita por encomenda. A exclusividade é um dos grandes cartões de visita da marca?

A exclusividade, para nós, não é escassez calculada, mas sim relação. Trabalhamos em séries pequenas e temos um serviço de Concierge que desenvolve peças por projeto, para quem procura algo pensado especificamente para a sua casa, a sua mesa ou o seu espaço. O que torna uma peça única não é só ser rara; é ter sido feita com um propósito concreto para quem a pede.

Há algo impossível de pedir aos criativos da Flor de Carmim?

Impossível, no sentido técnico, quase nada, a mão sabe surpreender-nos. O que não fazemos é aquilo que trai a peça: a pressa, o atalho, o efeito que impressiona hoje e cansa amanhã. Podemos dizer que não a um prazo que comprometa o feito à mão, mas nunca a uma ideia só porque é exigente. A exigência é, aliás, o que mais gostamos de receber. E há uma fidelidade de que nunca abdicamos: a do nosso ADN. Somos nós que interpretamos o cliente e fazemos algo único para ele.

Portugal é um país de pessoas que gostam de estar à mesa. As peças da Flor de Carmim pretendem tornar esses momentos ainda mais especiais?

A mesa é o nosso ponto de partida. É onde a casa se junta, onde se recebe, onde se marcam as datas que importam. As nossas peças não são para guardar na vitrine, são para servir, para usar, para fazer parte desses momentos. Um objeto bem feito não rouba protagonismo a quem está à mesa; eleva discretamente o que já lá estava.

A coleção Ivy over Blue Tiles nasce da memória de origem. Cada coleção conta uma história?

Sempre. Cada coleção parte de um lugar, de uma memória ou de um gesto. A Ivy Over Blue Tiles nasce da memória de origem: da infância, da casa, do sentido de pertença, dos primeiros lugares que habitámos antes de percebermos que os estávamos a guardar. É a hera a crescer sobre o azulejo, o azul sobre o branco, a natureza sobre a cultura, um diálogo que só existe em Portugal e que a Flor de Carmim traduz em porcelana com a subtileza de quem sabe que as memórias mais fundas não precisam de anúncio. Porcelana branca, com o motivo da hera em azul sobre azulejo: uma peça que é, ao mesmo tempo, raiz e presença. A história nunca é decoração; é o que dá coerência ao desenho, à paleta e ao nome. E, nesta coleção, a memória começa na quietude.

A categoria Intemporal, com velas e perfumes, pretende completar a forma de viver uma casa ao ritmo da marca?

Exatamente. A casa não se vive só à mesa, vive-se também no ambiente, na luz, no aroma que nos recebe à porta. A categoria Intemporal existe para isso: velas e fragrâncias que prolongam a linguagem da marca para lá do objeto físico. É a mesma sensibilidade, noutro registo, mais discreto mas igualmente presente. São criações 100% naturais e exclusivas da Flor de Carmim, desenvolvidas por uma perfumista portuguesa.

Para além da porcelana, têm uma coleção de pratas. Como cuidar de cada peça para que dure anos?

A prata gosta de ser usada, o uso regular é o melhor cuidado que lhe podemos dar. No dia a dia, lavar à mão com água morna e detergente suave, e secar sempre de imediato com um pano macio, porque é a humidade que a marca. Guardá-la ao abrigo do ar, idealmente em tecido próprio ou saco anti-oxidação, atrasa muito o escurecimento. E evitar o contacto prolongado com alimentos ácidos ou salgados e produtos abrasivos. Bem tratada, uma peça de prata acompanha-nos a vida inteira e passa para a geração seguinte.

Quais os próximos lançamentos que possam anunciar?

Estamos, neste momento, a dar a marca a conhecer ao mercado português, que é a origem da Flor de Carmim e de todo o seu savoir-faire, e a preparar uma expansão internacional faseada, com os Estados Unidos como primeiro mercado. Há novas coleções em desenvolvimento, todas fiéis a esta lógica de contar histórias com raiz portuguesa. O que podemos garantir é que cada lançamento continuará a nascer de uma memória e de um lugar, como tem sido desde o início.

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