Um novo livro que enriquece ainda mais o imaginário das crianças (e dos adultos)
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Rafaela Simões
- 30 mai, 09:08
Lendas, fantasia e uma viagem pelo imaginário português acaba de chegar a tempo de celebrar o Dia Mundial da Criança. É o novo livro Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal de Samuel F. Pimenta.
Há livros que contam histórias. E há livros que convidam os leitores a partir à descoberta. Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal, o novo livro de Samuel F. Pimenta, pertence claramente à segunda categoria. Publicado numa altura em que se aproxima o Dia Mundial da Criança, o atlas apresenta-se como uma viagem pelo imaginário português, cruzando lendas, tradição oral e fantasia num objeto que promete encantar miúdos e graúdos.
Esta nova obra propõe uma experiência partilhada entre gerações, sendo um livro para pais e filhos, como diz Samuel em entrevista à VERSA. Sobre o processo de criação do livro, o autor revela que é o resultado de investigação sobre mitos e lendas nacionais, num universo imaginado que é ilustrado por Helena Soares.
Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal convida, assim, as crianças a imaginar, descobrir e escutar histórias antigas, sendo por isso o presente ideal para o Dia Mundial da Criança.
Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal é um livro só para crianças ou para ser vivido entre crianças e adultos?
Diria que é um livro para todas as pessoas que não vivem sem um pouco de fantasia, sejam crianças ou adultos. Por se tratar de um atlas, é um livro com mapas, e por isso acaba por ser também um convite às famílias para viajarem pelo país em busca dos lugares onde vivem estas criaturas mágicas. Portanto, pode ser um bom ponto de partida para que crianças e adultos partilhem bons momentos e criem memórias juntos.
Onde foi buscar as histórias que reúne neste livro?
Em criança, já era fascinado por este universo, pois cresci a ouvir histórias sobre lendas e mitos, alguns deles com criaturas como fadas, lobisomens ou mouras encantadas. A tradição oral acabou por ocupar um lugar muito importante na minha obra, tendo motivado a escrita de alguns dos meus livros, como Iluminações de Uma Mulher Livre ou Ophiussa, que partem de mitos. Para a escrita destes romances, fiz muita pesquisa sobre a cultura popular portuguesa e a tradição oral, sobre o nosso folclore, tema que acabei por continuar a estudar por interesse pessoal. Ao longo dos anos, fui-me aprofundando no imaginário mítico de Portugal e descobrindo mais e mais criaturas que o povoam. Consultei desde livros a websites e recorri a autores como Fernanda Frazão e Gabriela Morais, José Leite de Vasconcelos, Paulo Pereira, Consiglieri Pedroso, Teófilo Braga, entre outros. Também consultei arquivos municipais. Mas nada disto seria possível sem a nossa tradição oral, com alguns testemunhos em primeira pessoa.
O que deste livro poderia ser verdade?
Os lugares a que as criaturas do livro aparecem associadas são reais, existem mesmo, assim como as histórias. Quanto às criaturas, são pura imaginação, personagens míticas e fantásticas do folclore nacional. Mas não é por serem imaginação que não são verdade, não é? Eu acredito nelas!
Acredita que há histórias que ainda hoje andam entre o diálogo quotidiano dos portugueses?
No que diz respeito às histórias deste livro, tenho a certeza que sim, pois ainda há muitas famílias que invocam a figura do Papão ou do Homem do Saco para aquietar as crianças, do João Pestana quando chega a hora de dormir ou de Sereias e Mouras Encantadas quando se passa por determinado lugar. Prova disso tem sido a forma como o livro está a ser acolhido, com as pessoas a falar-me das criaturas que conhecem. Ainda há memória viva. E nos casos em que as histórias não são conhecidas, espero que este livro seja um contributo para as lembrar.
Na descrição do livro pode ler-se: "As descrições envolventes de Samuel F. Pimenta e o misticismo das ilustrações encantadoras de Helena Soares tornam este livro uma autêntica obra de arte." Podemos mesmo dizer que acaba de nascer uma obra de arte?
Até agora, não existia nenhum atlas desta natureza. Já existiam bestiários, mas não um atlas. Nesse sentido, é um objeto único, de coleção, resultado da excelente parceria que resultou do trabalho da Helena Soares e meu. A partir da minha investigação e textos, a Helena criou estas ilustrações únicas, repletas de detalhes e que aguçam a curiosidade de quem lê. E o projeto é tão vasto que, entretanto, surgiu a possibilidade de também fazermos uma exposição, que inaugurámos a 23 de maio, às 16h, na Casa do Jardim da Estrela, em Lisboa.
Por que razão é este novo livro um bom presente para o Dia Mundial da Criança?
Defendo que temos de deixar as crianças ser crianças e acredito que este livro proporciona isso, pela forma como pode estimular a imaginação, o sentido de descoberta e a curiosidade. Também porque é um livro que nos remete para a tradição oral, que nos liga às nossas raízes mais profundas. Isso pode dar às crianças um sentido de pertença, de identidade. Passar às novas gerações esse legado é uma forma de lhes dar ferramentas para o futuro, pois gerações que conhecem a memória da sua cultura, do seu país, gerações que conhecem as lendas e as histórias dos lugares que habitam, que conhecem as histórias das suas comunidades, das suas famílias, serão gerações mais conscientes.
O livro Atlas das Criaturas Mágicas de Portugal custa €14,99 na Penguin Random House Grupo Editorial.
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